terça-feira, 10 de outubro de 2017

Maceió: Eixo Quartel deve ser entregue ainda este ano, diz governador

09/10/2017 - Agência Alagoas

Segundo Renan Filho, fim do período chuvoso possibilitou retomada das obras viárias em todo Estado

Fonte: Agência Alagoas
Foto: Reprodução

O governador Renan Filho afirmou, nesta segunda-feira (9), que espera entregar as obras do Eixo Viário do Quartel até o fim deste ano e, no primeiro semestre de 2018, o Eixo Viário do Cepa. Segundo ele, com o fim do período chuvoso, os trabalhos foram acelerados em todo o Estado, fazendo com que as obras viárias avancem.

“Eu espero entregar o Eixo do Quartel ainda este ano e o Eixo do Cepa no começo de 2018. As duas obras, feitas com recursos próprios do Governo do Estado, são muito importantes para dar maior fluidez ao trânsito no entorno da Avenida Fernandes Lima”, disse o governador, em entrevista coletiva antes da solenidade de entrega da reforma da Escola Estadual Princesa Isabel, no Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa).

As obras dos Eixos Viários do Cepa e do Quartel estão orçadas em R$ 20 milhões. O Eixo Quartel terá cerca de seis quilômetros de comprimento, com início na Rua Marieta Lages, no Farol, estendendo-se até a Rua Ranildo Cavalcante, na Gruta.

O Eixo Cepa, por sua vez, terá cerca de nove quilômetros de extensão. O binário tem início entre as ruas Frei Caneca e Luiz de Mascarenhas, no Farol, e vai até a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Gruta de Lourdes.

Renan Filho lembrou que o inverno rigoroso em Alagoas prejudicou o bom andamento das obras viárias em todo o Estado. A estiagem, entretanto, permitiu a retomada do ritmo de trabalho.

“Retomamos obras muito importantes, a exemplo da duplicação de Maceió a Arapiraca (AL-220), no trecho da Barra de São Miguel a São Miguel dos Campos. Retomamos a duplicação da AL-101 Norte, bem como as obras viárias no Sertão de Alagoas, a exemplo da estrada que liga Olho D’Água das Flores a Santana do Ipanema, e o acesso a Marechal Deodoro. Também foi dada a ordem de serviço para a construção da rodovia que liga Rio Largo a Chã do Pilar, no Distrito Industrial”, citou Renan Filho.

Segundo o governador, outra obra que caminha para a conclusão é a Alça da Flamenguinha, que aproxima o Litoral Norte do Estado, a partir de São Luís do Quitunde, da parte alta de Maceió.

“Estamos acelerando a construção da estrada que liga o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares ao Benedito Bentes e a duplicação do acesso a este bairro, que é uma obra fundamental. Vamos intensificar, ainda, as ações para a construção do viaduto da Polícia Rodoviária Federal (PRF), garantiu.

Saúde

Na área da saúde, as obras para a construção dos hospitais da Mulher e Metropolitano, em Maceió, bem como as do Hospital Regional do Norte, em Porto Calvo, seguem avançando, citou o governador. Outras duas obras serão licitadas em breve para a edificação dos hospitais regionais da Zona da Mata, em União dos Palmares; e do Sertão, em Delmiro Gouveia.

“O Estado avança com a construção de escolas, hospitais; com os Centros Integrados de Segurança Pública (Cisp), com novas estradas. Isso é muito importante, sobretudo nesse momento de dificuldade econômica que vive o Brasil. Aqui, a gente enfrenta a crise com muito trabalho, de cabeça erguida e entregando muitas realizações. Só aqui no Cepa mais de 50 homens estão trabalhando, sem contar os que estão atuando dentro das escolas que estão sendo reformadas”, concluiu Renan Filho.

sábado, 19 de agosto de 2017

Elevação das marés deve gerar prejuízo bilionário em SP

18/08/2017 - Panrotas

Victor Fernandes
       
Maurício de Souza/Estadão Conteúdo

O Projeto Metrópole realizou estudo para diagnosticar os impactos da elevação da maré em Santos, Broward, nos Estados Unidos, e Selsey, na Inglaterra. Os resultados foram apresentados ontem na cidade paulista e a situação é preocupante.

Segundo o coordenador-geral do estudo, José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais, não há mais escapatória: “Santos precisará de obras de adaptação”.

A previsão é de que as mudanças climáticas provoquem um aumento do nível do mar, em Santos, de pelo menos 18 centímetros até 2050. E podendo chegar a 45 centímetros em 2100. “Não estamos falando sobre mudanças do clima em um futuro distante, é preciso entrar em ação agora”, afirma Marengo.

"Se nada for feito, o prejuízo será de pelo menos R$ 1,5 bilhão até 2100. Mas essa quantia pode ser bastante otimista, pois tem como base o valor venal das propriedades que sofrerão impactos. Estimamos que o prejuízo real chegue ao dobro, sem contar os custos humanos incalculáveis”, revelou o coordenador-geral da pesquisa ao UOL.

O estudo incluiu uma modelagem de quais áreas da cidade serão inundadas periodicamente em cenários de elevação das marés. Os impactos já são sentidos nas duas áreas mais vulneráveis da cidade, o valorizado bairro da Ponta da Praia e a zona noroeste.

Governo investe cerca de R$ 300 milhões em obras de mobilidade em Teresina

19/082017 - Governo do Estado do Piauí

Entre as obras estão o rodoanel, a duplicação das BRs e o Elevado da Miguel Rosa.

Pavimentação, construção de viadutos e elevados, duplicação de pontes e vias federais, revitalização de avenidas. Essas são algumas das ações de mobilidade urbana que o Governo do Piauí realiza em Teresina com o objetivo de fomentar a economia e estimular o desenvolvimento da capital.

Recém inaugurado, o complexo da ponte Juscelino Kubitschek agora conta com cinco faixas de tráfego no sentido Centro-Leste, um passeio central para pedestres e ciclista, interligando o canteiro central das avenidas Frei Serafim e João XXIII, mais uma praça sob a ponte JK. As obras da reestruturação custaram R$ 31.686.491,73, incluindo a construção da ponte do Meio, dos acessos, reforma da ponte JK e implantação do passeio central. Já a construção das duas praças sob a via, está orçada em R$ 1.696.978,11.

Ponte Juscelino Kubitschek (Francisco Gilásio)
Ponte Juscelino Kubitschek (Francisco Gilásio)

"É uma obra de grande importância para Teresina. A terceira ponte, ou ponte do Meio, já começou a desafogar o trânsito e facilitar a trafegabilidade na região central da cidade, melhorando a qualidade de vida das pessoas. Já a praça, passa a ser uma opção a mais para a cultura local, transformando um espaço, antes degradado, em um ambiente agradável e aconchegante, com um anfiteatro e um mirante para o rio", destaca o governador Wellington Dias.

Rodoanel e duplicação das BRs

Com 95% já concluído, o Rodoanel de Teresina é outra importante obra de mobilidade executada pelo Governo do Estado. Após a inauguração, prevista para o mês de outubro, espera-se uma redução no tráfego de, pelo menos, 5 mil veículos de cargas que diariamente passam na área urbana da capital. A última etapa consiste na construção das alças do viaduto da BR 316, implantação dos dispositivos de segurança e sinalização. Ao todo, R$ 125 milhões foram investidos o Rodoanel.

Quanto à duplicação da BR 316, na qual estão sendo investidos mais de R$ 63 milhões, o diretor do Departamento de Estrada de Rodagens (DER), Castro Neto, garante que as obras seguem dentro do cronograma. Com 8,4 km de extensão, a via está com cerca de 60% dos trabalhos concluídos. A estrada contará com quatro viadutos, duas faixas de 7,2m, acostamento e faixa de segurança. Já as pistas marginais, terão duas vias, ciclovia de três metros e calçadas de dois. Além das pistas, serão feitos acessos, duas passagens de desnível e duas passarelas para pedestres.


A previsão de entrega da via é para o segundo semestre de 2018. “Teresina conta com poucos viadutos e nossas rodovias de entrada e saída não são duplicadas, o que ocasiona congestionamentos, acidentes e mortes. Agora, temos um grande investimento em mobilidade e essas obras facilitarão a vida do condutor, pedestre e ciclista, além de desafogar o trânsito. As obras serão um marco na mobilidade urbana da capital", avalia Castro Neto.

Elevado da Avenida Miguel Rosa

A este conjunto de obras soma-se o elevado da Avenida Miguel Rosa, onde mais de R$ 24 milhões estão sendo investidos. Com mais de 80% concluída, a obra visa dar mais fluidez ao trânsito de Teresina a Timon, no Maranhão, e do Centro da capital a bairros da zona sul. Após a finalização do cronograma da primeira etapa, a obra segue para um segundo momento, quando serão escavadas as trincheiras e instalados os sistemas de drenagem e desvio de adutoras. A previsão é de que o elevado seja entregue até o final do ano.

Elevado da avenida Miguel Rosa (Francisco Gilásio)
Elevado da avenida Miguel Rosa (Francisco Gilásio)

Pavimentação e urbanização

Já dentre as ações que otimizam os principais acessos das regiões mais afastadas do Centro da capital, está a duplicação da estrada da Usina Santana, com 12 km de extensão e investimento de R$ 51 milhões.

Diversas famílias da zona rural também foram beneficiadas com a pavimentação poliédrica de quatro vias do povoado Cacimba Velha, onde foram aplicados recursos no valor de R$ 700 mil. "Éramos isolados, quando tínhamos algum problema de saúde, era complicado o atendimento por causa das estradas ruins. Agora, melhorou muito, até a minha clientela aumentou", conta a dona Janete, artesã local.

As obras de urbanização do Governo do Piauí na capital também contemplam a avenida Nossa Senhora de Fátima, na zona leste. Com investimento de mais de um R$1.300 milhão, a revitalização dessa área consolidada como polo gastronômico também representa um avanço no turismo da capital. "O projeto contempla a padronização das calçadas com nivelamento, ou seja, retirada dos obstáculos para que as pessoas com deficiência não tenham dificuldade de mobilidade. Há ainda a padronização do canteiro, a melhoria da iluminação e a implantação de sinalização horizontal", afirma o secretário de Estado dos Transportes, Guilhermano Pires.

Autoria: Lorenna Costa

domingo, 6 de agosto de 2017

Demolição de prédios históricos foi motivada por arquitetos modernistas

08/03/2015 - Época

Lúcio Costa, o urbanista que projetou Brasília, defendia que só dois estilos mereciam preservação no Brasil. Como resultado, perdemos tesouros no Rio, em São Paulo e em outras capitais

MARCELO BORTOLOTI

“BASTARDO” O Palácio Monroe, no Rio, demolido  em 1976. Ele era  um  exemplo da arquitetura eclética, desprezada  por Lúcio Costa (Foto: José dos Santos Affonso/Instituto Moreira Salles )
“BASTARDO” O Palácio Monroe, no Rio, demolido  em 1976. Ele era  um  exemplo da arquitetura eclética, desprezada  por Lúcio Costa (Foto: José dos Santos Affonso/Instituto Moreira Salles )

Nos anos 1930, a Avenida Central no Rio de Janeiro, atual Rio Branco, era uma versão tropical da parisiense Champs-Élysées, tomada por prédios ecléticos de influência francesa. Havia exemplares belíssimos, como o Hotel Avenida, com seus 220 quartos de luxo, e o imponente Palácio Monroe, primeiro projeto brasileiro a ganhar um prêmio internacional de arquitetura. Nessa mesma época, em São Paulo, ao longo da Avenida Paulista, espalhavam-se palacetes construídos por imigrantes europeus. Prósperos, reproduziam a linguagem arquitetônica de seus países de origem. Em Salvador, bairros como o Corredor da Vitória eram tomados por charmosos edifícios neoclássicos. Tudo isso foi abaixo, e não apenas por culpa da especulação imobiliária. A desfiguração dessas e de outras capitais brasileiras aconteceu com a complacência e o apoio de quem deveria preservá-las.

O Serviço do Patrimônio Histórico, atual Iphan, criado em 1937, tinha à frente um grupo de modernistas, influenciado pelo arquiteto Lúcio Costa. O grupo detestava a arquitetura eclética. Para eles, o verdadeiro estilo brasileiro era o colonial, abundante nas cidades históricas mineiras e nas igrejas barrocas do Rio e Salvador. Esse pensamento ajudou a construir uma visão parcial do passado brasileiro, em que não cabiam prédios ornamentados, de influência francesa. Para o grupo, quanto menos desses prédios existisse, melhor. “Os modernos viraram árbitros do que era bom ou ruim na arquitetura. Resgatavam o passado e diziam como seria o futuro. Para eles, a arquitetura eclética era um hiato na linha evolutiva das construções no país”, diz o arquiteto e antropólogo Lauro Cavalcanti. Ele é o autor de Dezoito graus – livro que acaba de ser lançado e que, ao romancear a construção do Palácio Capanema, narra o embate entre ideias divergentes quanto à arquitetura nacional.

>> 120 anos nos labirintos da Justiça

A concepção do Palácio Capanema, em 1935, marca o início simbólico da caçada à arquitetura eclética. Naquele ano, o Ministério da Educação e Saúde abriu um concurso de arquitetura para a construção de uma sede no Rio. O vencedor, escolhido por uma comissão independente, foi Archimedes Memória, arquiteto renomado. Ele desenhou um edifício neoclássico, elogiado por mesclar temas indígenas com elementos do passado brasileiro. O então ministro, Gustavo Capanema, considerou o projeto pavoroso. Pagou o prêmio, mas não quis construí-lo. Com a aprovação do presidente Getúlio Vargas, chamou o arquiteto Lúcio Costa para projetar algo moderno. Nascia assim o Palácio Capanema. O prédio se tornou um marco por motivos diversos, além da importância arquitetônica. Ele deu início à parceria entre Costa e Oscar Niemeyer (que posteriormente fariam Brasília e projetariam a arquitetura brasileira no exterior). E abrigou o Serviço do Patrimônio Histórico, sob o comando de Costa e seu grupo. Eles passaram a decidir o que deveria ou não ser preservado.

A nova arquitetura deveria ser limpa e racional, como professava o arquiteto franco-suíço Le Corbusier. As construções do passado que mereciam preservação eram as de estilo colonial. Costa via uma afinidade entre os dois momentos da história, que formariam a linha evolutiva da autêntica arquitetura brasileira. A herança deixada por Costa e seu grupo na proteção do patrimônio é ambígua. Sua contribuição foi de inegável importância naquele momento em que a arquitetura colonial corria risco iminente. Antes da criação do Serviço do Patrimônio, a Igreja da Sé, em Salvador, primeira grande catedral do Brasil, foi colocada abaixo para a construção de uma avenida. No entanto, a recusa sistemática da arquitetura eclética que resplandecia nas grandes cidades abriu espaço para que fossem cometidos crimes irreparáveis contra o patrimônio histórico brasileiro.

>> O assalto ao Museu Castro Maya. Um crime sem solução

A política oficial de proteção foi completamente direcionada. Da fundação do Iphan até os anos 1970, foram tombados pouco mais de 600 prédios. Destes, 529 eram do período colonial. Lúcio e seu grupo também protegiam a arquitetura moderna, produzida por eles próprios. O Palácio Capanema foi tombado em 1948, um ano após sua inauguração. A Igreja da Pampulha, construída por Niemeyer, foi tombada um ano antes. Enquanto isso, sem proteção, boa parte da arquitetura eclética brasileira sucumbiu. Dos mais de 70 edifícios que havia ao longo da Avenida Rio Branco, no Rio, restaram dez. Em São Paulo, dos grandes casarões da Avenida Paulista, sobraram quatro.

No Rio, então capital federal, ocorreram as maiores transformações. O Iphan resistiu a tombar prédios importantes como o Theatro Municipal e a Biblioteca Nacional. Na década de 1970, o Clube de Engenharia e o Instituto dos Arquitetos do Brasil começaram a pressionar pelo tombamento dos edifícios ecléticos restantes na Avenida Rio Branco. A pressão começou quando iam demolir os prédios do Jóquei Clube e do Derby, para dar lugar a um arranha-céu. A proposta era que se tombassem esses dois e outros sete, entre eles o Theatro, a Biblioteca Nacional, o Palácio Monroe, o Tribunal de Justiça e o Clube Naval, último conjunto eclético remanescente da avenida original. Costa já estava aposentado, mas mesmo assim redigiu um parecer que foi lido em reunião do Iphan, em 1972. Dizia que o Serviço do Patrimônio se dispôs a excluir de sua alçada os prédios de estilo eclético, por considerá-los fora da linha legítima da evolução arquitetônica. Chamava o prédio do Clube Naval de “medíocre” e o do Tribunal de “insignificante”. Posicionava-se contra o tombamento da Biblioteca Nacional e se referia ao “aviltado pavilhão Monroe cuja presença estorvante já não se justifica”.

Depois do parecer, o Iphan desistiu do tombamento do conjunto. Foram preservados, individualmente, apenas a Biblioteca Nacional, o Theatro Municipal e o Museu de Belas-Artes. No mesmo ano, os proprietários demoliram o prédio do Jóquei e do Derby. Em 1976, foi abaixo o Palácio Monroe, apesar de várias manifestações contrárias e da linha do metrô que passaria por baixo dele ter sido modificada apenas para preservá-lo. O arquiteto Ítalo Campofiorito, de 82 anos, que trabalhou com Costa no Iphan, lembra da implicância dos modernistas com o Monroe. “Le Corbusier tinha horror àquele prédio, achava que tinha de ser retirado dali, porque segundo ele era um exemplo do que não se deve fazer em arquitetura”, diz. Maria Elisa Costa, filha de Lúcio, explica o pensamento do pai: “Ele fazia uma distinção entre coisas acadêmicas de boa qualidade, ou seja, merecedoras de respeito, e coisas ‘bastardas’ que ele desprezava, como o Monroe”.

A ira de Costa caiu sobre outros prédios. Um era a sede do Ministério da Agricultura, construída na Praça XV para uma exposição internacional, em 1922. Em parecer de 1972, ele afirmava que a demolição daquela “almanjarra de concreto” lhe “seria do maior agrado”. Em outro parecer, de 1978, que sacramentou sua derrubada, dizia: “Por sua falta de estilo, por sua desproporção, por sua feiura congênita, já nasceu bastardo”. O edifício foi demolido no final dos anos 1970. A política foi adotada nacionalmente. A cidade de São Paulo, que cresceu com os imigrantes no século XIX, não era de grande interesse para os modernistas, por guardar poucos exemplos da arquitetura colonial. Luís Saia, chefe do Iphan em São Paulo e responsável por todos os Estados do Sul, observou: “O gótico da Catedral da Sé, o romântico do Mosteiro de São Bento, o pretendido colonial da Igreja do Carmo são coisas estilisticamente espúrias e infelizes”. Em 1937, Mário de Andrade, que também trabalhava no Serviço do Patrimônio, escreveu numa publicação oficial: “Vagar assim pelos mil caminhos de São Paulo, em busca de grandezas passadas, é trabalho de fome e de muita, muita amargura. Procura-se demais e encontra-se quase nada”. Com essa perspectiva, não se via valor em conjuntos arquitetônicos como o da Avenida Paulista. Praticamente tudo foi abaixo. “O que aconteceu na Avenida Paulista é uma tragédia nacional. São Paulo foi marginalizada, por causa de uma leitura da identidade brasileira que excluía o imigrante”, diz Paulo Garcez, professor de arquitetura da Universidade de São Paulo (USP).

MEMÓRIA A Avenida Rio  Branco, no Rio. De  70 prédios, sobraram dez  (Foto: reprodução Biblioteca Nacional/Ag. Sincro)
MEMÓRIA A Avenida Rio  Branco, no Rio. De  70 prédios, sobraram dez  (Foto: reprodução Biblioteca Nacional/Ag. Sincro)

MEMÓRIA A Avenida Paulista. De dezenas de casarões, sobraram quatro  (Foto: Museu da Energia)
MEMÓRIA A Avenida Paulista. De dezenas de casarões, sobraram quatro  (Foto: Museu da Energia)

MEMÓRIA O arquiteto Lúcio Costa. Ele protegeu apenas dois estilos: o colonial e o modernista  (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo )
MEMÓRIA O arquiteto Lúcio Costa. Ele protegeu apenas dois estilos: o colonial e o modernista  (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo )

O bairro do Recife Antigo, na capital pernambucana, também tinha uma feição eclética desde que foi reformulado, no início do século passado. Por isso, só obteve o tombamento nos anos 1990. Nesse meio-tempo, prédios antigos foram demolidos ou desconfigurados. Belo Horizonte, fundada no final do século XIX e predominantemente eclética, tampouco contou com proteção. Perdeu o Teatro Municipal e muito do casario antigo. Em Salvador, só foram tombados o centro histórico colonial e alguns exemplares de igrejas e conventos da mesma época. O centro histórico de Porto Alegre horrorizava Costa, pela predominância da cor ocre, característica da arquitetura eclética alemã e italiana. O conjunto resistiu por sorte e só foi tombado em 2003. Antes disso, foram abaixo prédios históricos, como a antiga sede da Caixa Econômica Federal.

>> Inquietação urbana

Nos anos 1980, a criação de órgãos de proteção estaduais e municipais deu maior diversidade – e generosidade – ao olhar responsável pelo zelo com o patrimônio. No Iphan, as novas gerações de técnicos reconhecem a política enviesada do passado. Ainda que o ponto de vista de Costa e dos modernistas tenha ajudado a moldar as cidades brasileiras e influenciado a maior parte da intelectualidade, não chegou a atingir, como pretendia, o gosto da população. Mantém-se a preferência do público pelos “bolos de noiva”, prédios com fachadas repletas de detalhes decorativos e mistura de estilos. Hoje, o Palácio Capanema, no centro do Rio, exemplar magnífico da arquitetura moderna, recebe eventualmente a visita de um ou outro estudioso. Um pouco adiante, os turistas se apinham na Biblioteca Nacional, exemplo da arquitetura eclética.

sábado, 29 de julho de 2017

Corumbá-Murtinho, histórias da ferrovia, da guerra e do Saladero Cuê

28/07/2017 - Campo Grande News

Sílvio Andrade, do site Lugares

Pôr do sol na captação de água do Rio Paraguai, em Corumbá -Foto: Sílvio Andrade
Pôr do sol na captação de água do Rio Paraguai, em Corumbá -Foto: Sílvio Andrade

O Rio Paraguai de Corumbá a Porto Murtinho, no extremo sudoeste de Mato Grosso do Sul, foi o centro de grandes conflitos envolvendo portugueses, espanhóis e índios guaicurus, até o final da Guerra do Paraguai (1864-1870). Ao percorrer seus 526 quilômetros, pelo caminho se encontram testemunhos da disputa pelo território, como as fortificações, e uma comunidade que ainda mantém crenças e lendas, personificando heróis e celebrando milagres.

No centro da cobiça de portugueses e espanhóis pelo caudaloso e estratégico rio e as reservas de pedras preciosas na região de Cuiabá, a fundação de Corumbá, em 21 de setembro de 1778, foi determinante para o domínio da coroa lusitana na fronteira Oeste. Pelo Tratado de Tordesilhas, essa porção do Brasil pertenceu à Espanha até o século XVI. Portugal se impôs, dizimou nações indígenas e se estabeleceu militarmente.

Para ocupar definitivamente a região, no entanto, a história nos revela os percalços das investidas portuguesas pelo controle do desconhecido, a começar pelo total abandono da região do baixo Pantanal, tomada facilmente pelos paraguaios durante a guerra. A fundação do Forte Coimbra, em 1775, foi a primeira das patacoadas. O forte acabou erguido em local errado, no Estreito de São Francisco Xavier, ao invés do Fecho dos Morros, próximo a Porto Murtinho.

Forte Coimbra (1775), entre Corumbá e Murtinho: militares e civis, isolados, cultuam os milagres atribuídos a Nossa Senhora do Carmo
Forte Coimbra (1775), entre Corumbá e Murtinho: militares e civis, isolados, cultuam os milagres atribuídos a Nossa Senhora do Carmo

Sertanista bajulador do general

Quando a capitania de Mato Grosso decidiu construir uma segunda fortificação, rio acima (norte), para impedir o avanço de tropas espanholas e índios pelo Rio Mondego (Miranda), o enviado da Coroa escolheu às cercanias da morraria do Urucum, próximas à foz do afluente. Fundou-se ali Albuquerque, em 1776, mas descobriu-se que não havia ponto elevado para erguer o novo forte. Albuquerque tornou-se uma vila de apoio e hoje é distrito de Corumbá e atrativo de pesca esportiva.

Finalmente, o governador e general Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, fidalgo lusitano, se convence das encostas na curva do rio e manda fundar a nova fortificação, que se chamaria Albuquerque Novo, depois Corumbá. Mandou o sertanista João Leme do Prado limpar o terreno e este, ao montar acampamento em terra agricultável na confluência do Paraguai com o Paraguai-Mirim, teve o repente de fundar Ladário, nome da cidade natal do governador em Portugal. Cidades-gêmeas, Ladário e Corumbá comemoram aniversário no mesmo ano (1778) e mês (setembro), por uma diferença de 19 dias.

Soldado guarda o rio no Forte Coimbra
Soldado guarda o rio no Forte Coimbra

Ladário foi bairro e distrito de Corumbá e ocupa uma porção ínfima dentro do território do vizinho, que se espalha por 64 mil km², sendo o 11º maior município do Brasil. É sede do distrito naval da Marinha, que sustenta sua economia. Ambos brigam pelo maciço de Urucum, onde o Rio Paraguai contorna para chegar ao Porto da Manga, na Estrada-Parque, que foi picada da expedição do sertanista Cândido Rondon, estrada boiadeira e único acesso por terra à região, até a construção da BR-262, em meados de 1980.

Museu de Rondon abandonado

O distrito da Manga foi importante porto de transbordo de gado e hoje sua pequena comunidade vive da pesca, abandonado pelo poder público. Guarda uma das relíquias dos tempos de apogeu de Corumbá e a chegada do telégrafo naqueles confins de 1900: uma casa de madeira em palafitas de aroeira, na beira do Paraguai, que seria o posto do “guarda-fio”. Havia também imóvel semelhante do outro lado do rio.

Esse “guarda-fio” instalado no início do século XX, era um ponto de apoio da rede telegráfica para monitorar a fiação de 300 metros que passava sobre o rio, em direção a Corumbá. Muitos falam que ai, lugar ermo naqueles tempos, funcionava uma agência dos telégrafos, o que não procede. A casa ainda intacta – ela registra, nos seus esteios, marcas das maiores cheias do rio - foi restaurada há alguns anos para ser o Museu do Rondon, mas Estado e Município abandonaram o projeto de 2004.

Estrutura em palafita do centenário guarda-fio do telégrafo de Rondon: projeto do museu abandonado pelo poder público
Estrutura em palafita do centenário guarda-fio do telégrafo de Rondon: projeto do museu abandonado pelo poder público

terça-feira, 25 de julho de 2017

Piracicaba sediará oficina de trabalho do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado

23/07/2017 - G1

Cynthia Da Rocha





Piracicaba sediará a oficina de trabalho do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI). O evento acontecerá na quinta-feira (27), às 8h, na Faculdade de Engenharia da Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba (Fumep). As oficinas também serão realizadas em Capivari (25/07), Limeira (26/70 e Rio Claro (28/7). As atividades devem propiciar ampla discussão regional, contribuindo para o levantamento, análise e formulação das principais questões a serem abordadas por políticas públicas de caráter metropolitano.

As oficinas, coordenadas pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano S/A (Emplasa), contarão com a participação de membros do poder público dos municípios da região, da sociedade civil e de representantes do Estado, que terão como objetivo contribuir na formulação do Diagnóstico Problematizado da Aglomeração Urbana de Piracicaba (AUP).

Os temas que serão objeto do primeiro Plano da Aglomeração são: Desenvolvimento Urbano e Econômico (Planejamento e Uso do Solo, Habitação de Interesse Social, Desenvolvimento Econômico e Turismo); Meio Ambiente (Unidades de Conservação, Saneamento Básico, Recursos Hídricos e Resíduos Sólidos); Redes Estruturais (Transporte, Sistema Viário Regional e Energia); e Atendimento Social (Saúde Pública, Segurança Pública, Defesa Civil, Educação e Cultura).

O PDUI é uma exigência do Estatuto da Metrópole, lei Federal nº 13.089, sancionada em 12 de janeiro de 2015, que determina que todas as regiões metropolitanas e aglomerações urbanas brasileiras desenvolvessem em três anos, a partir de 2015, seus Planos de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUIs), a serem aprovados por lei estadual.

Aprovado o plano, os 23 municípios que integram o Aglomerado Urbano de Piracicaba deverão compatibilizar seus Planos Diretores às novas regras. O PDUI, como instrumento legal de planejamento, estabelece diretrizes, projetos e ações para orientar o desenvolvimento metropolitano e regional, buscando reduzir as desigualdades e melhorar as condições de vida da população das regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. Também fixa as bases de atuação conjunta entre Estado e municípios.

Integram a Aglomeração Urbana de Piracicaba os seguintes municípios: Águas de São Pedro, Analândia, Araras, Capivari, Charqueada, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Elias Fausto, Ipeúna, Iracemápolis, Laranjal Paulista, Leme, Limeira, Mombuca, Piracicaba, Rafard, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Santa Gertrudes, Santa Maria da Serra e São Pedro.