terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Sistema de bicicletas compartilhadas em Fortaleza: previsão é fechar o ano com 10 mil viagens

30/12/2014 - O Estado do Ceará

Implantado como solução eficaz para pequenos deslocamentos e integrações entre modais, o Bicicletar, sistema de bicicletas compartilhadas, completa 15 dias de funcionamento com 8.698 viagens registradas até ontem, 29. Segundo a avaliação da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), o saldo do serviço é positivo. Além da adesão da população, até o momento, nenhuma bicicleta foi furtada ou quebrada.

Os dados são preliminares. A SCSP adiantou que o balanço será divulgado quando o sistema completar 30 dias de funcionamento. No entanto, a secretaria prevê que o ano deve fechar registrando 10 mil viagens.

ADESÃO

Com o objetivo de ajudar a reduzir o número de veículos particulares nas ruas, desafogando o trânsito e reduzindo as emissões de gases do efeito estufa, o serviço, rapidamente, entrou na rotina da população. O servidor público Cecílio Oliveira esperava, no último domingo, pacientemente, por uma bicicleta na estação da Praça Luiza Távora. A espera durou mais de meia hora. Todas as 12 bikes estavam em circulação.

Na mesma ocasião, a estudante Ana Cecília Farias também aguardava uma bicicleta. Analisando os primeiros dias de implantação do sistema, a estudante avaliou o serviço positivamente. Para ela, as bicicletas compartilhadas, além de democratizar o trânsito, permitem ao usuário interagir mais com a cidade. Contudo, a ciclista lamenta a carência de políticas públicas que fortaleçam o trabalho de educação no trânsito. De acordo com Ana Cecília, os motoristas tiveram que dividir espaço com outro modal. Sem preparação, o relacionamento nas vias ficou tenso. "Não basta apenas colocar bicicletas nas ruas. É preciso incentivar a educação no trânsito e melhorar as relações entre motoristas e ciclistas", analisa.

Outro ponto aprovado pela estudante foi o custo do sistema para o usuário. "Esse é também um ponto positivo. Uso a bicicleta compartilhada na Ciclofaixa de Lazer que é realizada aos domingos. Com o passeio, eu consegui vivenciar lugares da cidade que, de outra forma, dificilmente teria chance. O sistema de bicicletas compartilhadas estimula, principalmente, pelo baixo custo. Isso faz a pessoa interagir com a cidade. E Fortaleza precisa de mais iniciativas como essa, que ofereçam espaços de socialização", pondera Ana Cecília.

De acordo com a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos, até o momento foram cadastrados cinco mil passes. Cerca de 30% dos usuários são do Bilhete Único. A SCSP destaca, ainda, a grande adesão de turistas ao sistema, que já utilizavam o sistema em outras cidades do País.

• Para utilizar o sistema, os interessados devem se cadastrar através do site

 www.bicicletar.com.br ou por meio do aplicativo "Bicicletar". Durante o cadastramento, o usuário optará por um plano de adesão com taxa diária (R$ 5), mensal (R$ 10) ou anual (R$ 60) informando o cartão de crédito de onde será debitado o valor do plano escolhido. Quem portar o Bilhete Único (BU) pode fazer integração com o sistema e utilizar gratuitamente desde que também esteja cadastrado. O serviço funciona todos os dias, de 5 às 23h59 para a retirada dos equipamentos e de 24h para devolução.

• Atualmente, o serviço conta com 15 estações de bicicletas. A previsão é de que, até final de janeiro, sejam 40 estações. Conforme informações da SCSP, à medida que cada uma fique pronta, será entregue. Os pontos para a instalação estão sendo mapeados.

• Além dos 75km de ciclovias municipais, estaduais e federais, a Capital conta com 24,1km de ciclofaixas, totalizando 99,1km de percurso em vias com espaço exclusivo para ciclistas. A Prefeitura pretende implantar, ainda, pelo período de 15 anos, 524km de rede cicloviária, conforme previsto no Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI).

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Prédio pode gerar 100% da energia que consome

28/12/2014 - O Globo, Morar Bem


A adaptação às condições climáticas foi o ponto de partida para a construção do EcoCommercial Building da Bayer, em São Paulo. O prédio, na verdade um centro de convivência localizado na sede da empresa, no bairro Socorro, pode ser o primeiro do país a gerar 100% da energia que consome. Não à toa, acaba de ganhar a certificação Leed Platinum, o mais alto nível do selo internacional concedido pelo Green Building Council (GBC).

- É mais uma conquista da indústria nacional da construção sustentável. O alinhamento entre projeto, técnicas construtivas responsáveis e tecnologias aplicadas foi maximizado de modo a permitir que o prédio conseguisse o maior nível da certificação internacional - elogia Felipe Faria, diretor do GBC Brasil.

Para chegar a esse resultado, o projeto levou em consideração diversos fatores. A iluminação natural, por exemplo, foi aproveitada ao máximo. O edifício ganhou brise-soleil, fachadas de vidro com películas que reduzem o calor e diversas aberturas para entrada de luz. Sensores de presença e da luminosidade externa determinam o momento de acender, e intensificar, as luzes. E uma miniusina solar foi instalada para gerar energia para abastecer o local.

SISTEMA DE AR PAGOU POR USINA SOLAR

A ventilação cruzada e o sombreamento também foram aproveitados. Com isso, a necessidade de uso de aparelhos de ar condicionado foi eliminada em 95% do prédio. Apenas a sala de reunião, que muitas vezes deve permanecer fechada, conta com o sistema.

- Além de diminuir os gastos durante o uso dos aparelhos, isso gerou enorme economia durante a obra. O sistema de ar condicionado custaria R$ 150 mil. Gastamos R$ 90 mil na instalação das placas fotovoltaicas e ainda sobraram outros R$ 60 mil para investir em outras necessidades da obra - conta Fernando Resende, gerente do EcoCommercial Building, no Brasil.

Localizado numa área arborizada do terreno, o prédio foi projetado de forma que nenhuma árvore fosse arrancada. Ao longo da edificação, que tem cerca de 600 m², é possível ver dez árvores. Para que não fossem prejudicadas, além de aberturas no teto para que seus galhos continuem se expandindo, o prédio foi erguido sobre uma plataforma de madeira a dez centímetros do chão, o que permite que a água da chuva penetre na terra e as raízes cresçam sem interferir na estrutura do prédio.

Além disso, o paisagismo foi feito apenas com espécies nativas, já acostumadas à quantidade de chuvas da área, que fica próxima à represa de Guarapiranga - até agora, a que menos sofre com a seca que atinge São Paulo.

ECONOMIA DE 94,8% DE ÁGUA POTÁVEL

A chuva, aliás, é outra aliada da edificação. O prédio tem tanto um sistema de captação da água da chuva quanto o de reaproveitamento das águas cinzas. E como o uso de água potável está restrito às pias, a economia chega a 94,8%. São dois reservatórios: um que fica enterrado e um espelho d'água que passa por dentro do prédio ajudando na refrigeração das áreas internas.

Projetos de EcoCommercial Building da Bayer estão presentes em outros seis países - Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos, Índia e Tailândia. Eles integram as ações da companhia alemã, que atua em setores que causam grande impacto ao meio ambiente, em prol da preservação ambiental. Em São Paulo, além de servir aos dois mil funcionários da empresa, o prédio recebe cerca de 150 visitantes por mês e serve ainda como modelo para os clientes da companhia, já que boa parte dos materiais utilizados são fabricados por ela.

- A população cresce muito rapidamente, os padrões de consumo também, mas o planeta não cresce mais. Esse programa faz parte do desenvolvimento de tecnologias que contribuam para a redução desse impacto. E todas são produzidas aqui no Brasil - conclui Resende.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Alphaville Urbanismo termina 2014 com investimentos expressivos na região Sudeste

26/12/2014 - Investimento e Notícias

Somente neste ano, a empresa lançou os empreendimentos Terras Alphaville Rio Doce e Alphaville Uberlândia, em Minas Gerais, e Terras Alphaville Cabo Frio e Alphaville Campos, no estado do Rio de Janeiro.

Todos os lançamentos foram um sucesso de vendas. A empresa também entregou a quarta fase do empreendimento Alphaville Nova Esplanada, na região de Sorocaba, em São Paulo. Agora, a marca se prepara para novidades em 2015.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Belo Horizonte ganha 400 bicicletas compartilhadas em 40 estações

14/12/2014 - Portal R7


A Prefeitura de Belo Horizonte concluiu nesta semana a implantação do projeto Bike BH, que disponibiliza bicicletas compartilhadas para os moradores da cidade. Ao todo, 400 bicicletas, em 40 estações, podem ser usadas pelos belo-horizontinos.

Segundo a BHTrans, atualmente o Bike BH tem 34.946 usuários cadastrados e as bicicletas já foram utilizadas em mais de 34 mil viagens. Já foram solicitados 16.140 passes (7.108 diário, 8.162 mensal, 870 anual). Os dias mais usados são domingo, sábado e quinta-feira, principalmente entre 16h e 18h.

Para utilizar as bicicletas, é preciso preencher um cadastro pela internet e pagar um valor diário de R$ 3, mensal de R$ 9 ou anual de R$ 60. As bicicletas estarão à disposição dos usuários todos os dias da semana, das 6h às 23h para retiradas, e até meia-noite para devoluções.

O Sistema de Bicicletas Compartilhadas irá permitir a utilização da bicicleta por até 60 minutos ininterruptos, de segunda-feira a sábado (exceto feriados), e por até 90 minutos ininterruptos, aos domingos e feriados, quantas vezes por dia o usuário desejar. Para isso, basta que, após estes prazos, o ciclista devolva o equipamento em qualquer estação por um intervalo de 15 minutos.

Para continuar utilizando a bicicleta, sem fazer a pausa, serão cobrados R$ 3 pelos primeiros 30 minutos excedidos e, depois, R$ 5 para cada novo intervalo de meia hora. Para destravar a bicicleta, o usuário pode usar o aplicativo Bike BH para smartphones ou ligar, do telefone celular, para o telefone 4003-9847 (custo de uma chamada local).

As bicicletas
As bicicletas pesam em torno de 15 quilos, têm quadro em alumínio com design diferenciado, três marchas, selins com altura regulável, guidão emborrachado, acessórios de sinalização, sistema de identificação e trava eletrônica. Como uma ferramenta de segurança para os ciclistas, as bicicletas do Bike BH têm os pneus largos para reduzir a velocidade e as cores fortes ajudam na visualização. 
As estações funcionam alimentadas por energia solar e são interligadas por sistema de comunicação sem fio, via rede GSM e 4G, permitindo que estejam conectadas com a central de controle da empresa por 24 horas. A central monitora, em tempo real, toda a operação do sistema.

Santo André (SP) terá sistema semafórico inteligente e parceria com aplicativo Waze

15/12/2014 - Diário do Grande ABC

Com investimentos de R$7 milhões, prefeitura prevê que 70% dos semáforos sejam automaticamente programáveis a partir do primeiro semestre de 2015

Santo André terá semáforos inteligentes
Santo André terá semáforos inteligentes

créditos: Celos Luiz/DGABC
 
A Prefeitura de Santo André planeja instalar no primeiro semestre do ano que vem central de mobilidade interativa cujo objetivo é otimizar o monitoramento do trânsito e, consequentemente, reduzir os congestionamentos na cidade. Foram investidos R$ 7 milhões na compra de um software capaz de reprogramar os semáforos em tempo real, de acordo com a demanda. A previsão inicial é de que a fluidez seja melhorada em pelo menos 10%.
 
Neste ano, a Secretaria de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos iniciou a sincronização semafórica de parte dos sinais luminosos do município. Entretanto, o titular da Pasta, Paulinho Serra, explica que o novo sistema, desenvolvido pela empresa alemã Siemens, é ainda mais eficiente. "Quando a gente fala em semáforos inteligentes convencionais, na verdade eles têm algumas pré-programações para serem executadas ao longo do dia, com base no horário. A nova tecnologia faz as alterações nos tempos automaticamente, de acordo com a necessidade", compara.
 
Para que o programa faça os cálculos sobre as reprogramações instantâneas, são instaladas câmeras nas proximidades dos semáforos. Os equipamentos detectam virtualmente o volume de veículos na via e, com base nesse dado, regulam as fases de vermelho e verde. Inicialmente, 20 câmeras serão instaladas. "Mas queremos chegar a algo entre 60% e 70% dos nossos 250 cruzamentos semaforizados", diz Paulinho. O secretário acrescenta que o número não irá chegar a 100% porque "o programa é desenvolvido para corredores com alta movimentação". Dessa forma, não será implantado em vias secundárias. O serviço será instalado pela empresa Cobrasin, que venceu a licitação feita pela administração municipal e importa os equipamentos da Siemens.
 
A central será integrada com o serviço que atualmente funciona no DET (Departamento de Engenharia de Tráfego) e passará a ser sediado na sede da secretaria, na Rua Catequese. Também funcionará lá o centro operacional da SATrans, que gerencia o sistema de Transporte municipal. Está prevista para o primeiro semestre a parceria entre a Prefeitura e o aplicativo Waze, que mostra aos internautas a situação do trânsito na cidade em tempo real. Quatro painéis eletrônicos com informações do viário serão espalhados pelo município.
 
PAIT

Anunciado em fevereiro, o Pait (Programa de Ação Imediata no Trânsito) já realizou cerca de 250 intervenções diretas em Santo André, segundo Paulinho. Foram instaladas 30 faixas de pedestres elevadas e criadas 1.500 vagas de estacionamento rotativo, chegando a 4.500. A expectativa inicial era de que as alterações provocassem melhoria entre 10% e 15% na fluidez.
 
Entretanto, diz o titular da Pasta, o ganho foi ainda maior em alguns locais. Caso do corredor que liga São Caetano a Mauá, passando por avenidas como Dom Pedro II, Perimetral e Giovanni Batista Pirelli, onde o tempo de percurso diminuiu 22%, em média. Outra via citada por ele como experiência bem sucedida foi a Avenida Portugal, que teve redução nos congestionamentos depois que a Prefeitura proibiu o estacionamento na Rua Monte Casseros, no Centro.
 
O secretário afirma que as intervenções continuarão a ser feitas no ano que vem, em bairros como Santa Terezinha e Vila Luzita.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mobilidade Urbana em Campos (RJ): da passagem social à abertura de corredores

09/12/2014 - O Diário

Prefeitura de Campos planeja abrir novas vias, implantar ciclovias e ciclofaixas, oferecer novos ônibus e construir o aeromóvel com novo Plano de Mobilidade Urbana

Ciclovias fazem parte do novo Plano de Mobilidade Urbana
créditos: Rodolfo Lins/PMCG

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de Campos deverá chegar a um milhão de pessoas nos próximos anos e, com tanta gente assim indo e vindo, a prefeitura procurou se antecipar criando o Plano de Mobilidade Urbana. Os investimentos incluem abertura de novas vias, como a moderna Avenida Artur Bernardes, implantação de ciclovias e ciclofaixas, Programa Cartão Cidadão, novos ônibus com acessibilidade e alguns com ar refrigerado, que começam a circular ainda este ano, além do aeromóvel, entre outros.

O Programa Campos Cartão Cidadão, que garante a passagem a R$ 1, beneficia mensalmente mais de 300 mil usuários e em cinco anos a prefeitura investiu R$ 150 milhões em subsídio, beneficiando a população. Até o final deste ano, em torno de 100 novos ônibus estarão circulando nos bairros e distritos do município adquiridos pelos consórcios Planície e União, vencedores dos lotes 01 e 02 e Empresa Rogil, que irá operar o lote 03. Os coletivos serão financiados pela prefeitura, através do Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam), com juros de 0,5% ano e 24 meses para os consórcios quitarem o empréstimo.

Objetivando aperfeiçoar a mobilidade para que a população consiga se deslocar com maior facilidade, o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte (IMTT) também adotou medidas, como a mudança de sentido de algumas ruas tanto na área central, como nos bairros periféricos, melhorando o fluxo dos veículos, como na Ponte General Dutra, por exemplo, onde hoje apenas os veículos no sentido Rua Rocha Leão, Bairro Caju/Rodovia BR-101 (Campos-Vitória) podem trafegar. "Com essas avenidas, trafegar ficou mais rápido. Para mim que trabalho com vendas e circulo de um lado para o outro foi importante", destacou o representante comercial Kleber Júnior Gomes, 28 anos, morador no Bairro Jóquei Clube. Quem também gostou e aprovou os investimentos nas vias foi o técnico em manutenção Cristiano da Silva Barreto, 39, que mora no Parque Cidade Luz, em Guarus. "Depois dessas obras, andar de carro ficou bem melhor", observou.

Padronização de táxis, regulamentação de alternativos e projeto do aeromóvel

Além disso, o IMTT padronizou os táxis e regulamentou as vans. Também houve investimentos na recuperação e ampliação de ciclovias e ciclofaixas, que vem sendo interligadas, garantindo assim, a circulação entre bairros. De acordo com levantamento do IMTT, atualmente são 50 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas demarcados ao longo das principais avenidas, garantindo mais opções para quem anda de bicicleta. O objetivo é incentivar a população a pedalar.

O aeromóvel - transporte por via férrea suspensa - teve o projeto conceitual readaptado pelo Ministério das Cidades, com o município seguindo as exigências e orientações do Governo Federal, ficando orçado em R$ 462 milhões. O contrato para financiamento do aeromóvel foi assinado pela presidente da República, Dilma Rousseff, e a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, em 26 de junho deste ano. No total, serão 13,2 quilômetros em via dupla.

Centro Histórico: obras de Revitalização para garantir mais mobilidade

O Centro Histórico de Campos vai ganhando um novo visual, com a revitalização realizada pela prefeitura. A primeira etapa já foi inaugurada e as ruas receberam total infraestrutura, como drenagem pluvial, redes de esgoto e de água, pavimentação, calçadas mais largas e com acessibilidade, além da conclusão de 90% da conversão subterrânea. Segundo a Secretaria Municipal de Obras, Urbanismo e Infraestrutura, o projeto contempla ao todo 26 ruas, avenidas e praças.

As obras de revitalização do Centro Histórico começaram em 2012. Além de dotar a área central de toda infraestrutura, o projeto visa ainda embelezar a região, com a retirada de fiações externas, nova iluminação e medidas de acessibilidade. Todo o projeto, que tem prazo de conclusão até 2016, totaliza investimentos municipais da ordem de R$ 65,5 milhões.

Investimentos: geração de trabalho e renda no município

Investimentos como o Complexo Logístico e Industrial Farol/Barra do Furado, na divisa entre os municípios de Campos e Quissamã e o processo de expansão e modernização do Aeroporto Bartolomeu Lisandro, além de gerar trabalho e renda, também fazem parte do Plano de Mobilidade Urbana. Em outubro, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Wainer Teixeira, se reuniu na sede da Secretaria de Aviação Civil, em Brasília (DF), com o diretor de Outorgas, Ronei Saggioro, para tratar do assunto.

O novo sistema de transporte coletivo de Campos, que começará a operar até o fim deste ano, vai aquecer o mercado com a geração de cerca de 720 postos de emprego no setor, que hoje tem em torno de 1.800 trabalhadores, ou seja, 40% a mais em 12 empresas de ônibus. A previsão é do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Campos (Setranspas) e leva em conta o momento em que o sistema estiver operando totalmente. Segundo dados do Setranspas, cada ônibus em circulação gera em torno de seis postos de trabalho, entre motoristas, cobradores, manutenção e administração.

Financiamento - Em relação ao financiamento proporcionado pela prefeitura, através do Fundecam, para a aquisição de 100 ônibus novos pelos consórcios Planície, União e Empresa Rogil, o representante dos empresários destacou que a linha de crédito é bem vinda. "E chega num momento em que as empresas têm muitas dificuldades", revelou o presidente do Setranspas, José Maria Matias.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

E os drones chegaram... no trabalho

02/12/2014 - O Estado de SP

JOSÉ PASTORE

Em 28 de janeiro deste ano, publiquei nesta coluna um artigo que previa a entrada dos drones nos ambientes de trabalho em dois ou três anos. Errei redondamente. A imprensa noticia que empresas chinesas e americanas estão produzindo e vendendo drones em massa.

Os drones são aparelhos voadores não tripulados que até pouco tempo atrás eram usados apenas em operações de guerra. Hoje, os americanos vêm utilizando esses aparelhos para fiscalizar e patrulhar a fronteira com o México e, assim, identificar em tempo real quem tenta entrar ilegalmente nos EUA. Em vários países, os drones fazem fotografias de alta definição e mapas tridimensionais de regiões inóspitas e de difícil acesso. Eles têm sido usados também para detectar problemas de trânsito nas grandes cidades, mudanças climáticas, incêndios em florestas fechadas e riscos de manadas de animais a serem protegidos.

De igual utilidade é o seu uso para monitorar as atividades agrícolas - desde a preparação da terra até a colheita -, assim como para fazer sondagens de solo, água e florestas em áreas remotas a serem usadas em estudos do meio ambiente. Os drones são utilizados igualmente na produção de filmes e programas de televisão e também na construção civil, onde funcionam como inspetores de qualidade e de segurança de obras e, sobretudo, de trabalhadores. Com a possibilidade de fazer previsões mais acuradas de desastres ambientais (furacões, tsunamis, enchentes, etc.), os drones estão facilitando a implementação de operações de evacuação de comunidades atingidas, sem pôr em risco a vida humana.

Em suma, sem tripulantes, esses aparelhos são capazes de captar, fotografar e monitorar uma imensidão de atividades realizadas ao ar livre. Algumas empresas já começam a dar passos mais arrojados, como, por exemplo, a Amazon.com, que se prepara para fazer entregas de livros, CDs, DVDs e outros produtos leves por meio dos drones. Empresas de outros ramos estudam seguir o mesmo caminho.

Os produtores de drones sabem que têm pela frente um mercado promissor. Avançam nas inovações e reduzem os preços. Os aparelhos de 1 m2 estão sendo vendidos por US$ 1 mil cada um - equipados com câmeras fotográficas e filmadoras avançadas. É um preço muito baixo quando se considera o que tais aparelhos podem fazer.

Os negócios das empresas chinesas explodiram. A DJI Technology Co., por exemplo, começou a fabricar drones em 2011 com 90 funcionários e uma receita de US$ 4,2 milhões. Em 2013, operou com 1.240 funcionários e faturou US$ 130 milhões! Neste ano, está com 2.800 e não para de crescer (Empresa chinesa é líder mundial num novo segmento de consumo: drones, jornal Valor, 12/11/2014).

Tudo isso impacta o mundo do trabalho. Os drones que fiscalizam fronteiras e monitoram o trânsito substituem milhares de policiais. Os que observam incêndios substituem centenas de bombeiros. Os que monitoram a agricultura e a construção civil dispensam chefes e supervisores. Os que entregam mercadorias entram no lugar de motoristas e ajudantes.

Além de poderem trabalhar em áreas a que o ser humano não tem acesso, o uso de drones é uma resposta à falta de mão de obra e ao encarecimento do fator trabalho que se observa em toda parte, inclusive no Brasil.

Se, de um lado, esses artefatos substituem os trabalhadores, de outro, eles aumentam a produtividade do trabalho, a capacidade de investir das empresas e de gerar oportunidades de trabalho em outras áreas, em especial no setor de serviços. Num primeiro momento, são atividades que demandam trabalho pouco qualificado, mas, com o passar do tempo, exigirão um bom nível de capacitação. Novamente, a educação será fundamental para manter as pessoas trabalhando. Está aí mais um desafio para o nosso precário sistema de ensino.

José Pastore é professor da Universidade de São Paulo, presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da Fecomércio-SP e membro da Academia Paulista de Letras

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Prefeitura de Salvador tem em caixa R$ 1 bilhão para execução de obras

24/11/2014 - Tribuna da Bahia

O prefeito ACM Neto (DEM) caminha para fechar mais um ciclo frente à Prefeitura de Salvador: o segundo ano do seu primeiro mandato.

Em conversa à Tribuna na última quinta, no Palácio Thomé de Souza, o chefe do Executivo soteropolitano destacou os avanços na prestação dos serviços públicos do seu governo e lembrou das intervenções feitas na capital nas áreas de Saúde, Educação e Infraestrutura.

Após chegar de uma visita ao bairro de São Caetano, onde despachou com parte do seu secretariado, o prefeito enalteceu o trabalho de ampliação e implantação das Unidades de Pronto Atendimento (UPA), a revitalização da orla e o processo de mudança do sistema de transporte coletivo, que, a partir do ano que vem, terá uma das frotas mais novas do Brasil, com 700 novos veículos circulando pelas ruas da cidade.

Vale a pena conferir!

Tribuna da Bahia - Como o senhor avalia a prestação dos serviços públicos da prefeitura?

ACM Neto - Eu acho muito importante fazer a comparação com a Salvador de dois anos atrás. Quando a gente olha para lá, é impossível, mesmo para meus adversários, deixar de reconhecer os avanços significativos da prestação dos serviços públicos. Eu gosto de citar exemplos, muito mais que um exercício de retórica, os exemplos revelam todo esse esforço que vem sendo feito na prefeitura. Na área de Saúde: quando chegamos, Salvador tinha a pior cobertura de atenção básica de todo País. Apenas 18% da população. Tínhamos 104 equipes de Saúde da Família. Em menos de dois anos nós fomos a capital do Brasil que mais cresceu em atenção básica. Ao fim deste ano vamos alcançar o patamar de mais de 40% da população, mais do que o dobro. Também vamos chegar a mais de 200 equipes da Saúde da Família. Veja que tudo que foi feito ao longo da última década, nós conseguimos fazer mais do que é isso em menos de dois anos. Quando cheguei, Salvador tinha sob sua responsabilidade uma única UPA, que era a unidade de Periperi, que não funcionava, e nós colocamos para funcionar. Nós também já inauguramos a UPA de Valéria, San Martin, de Itapuã, Barris e vamos inaugurar a UPA de Brotas, Pirajá, São Cristovão e a UPA de Paripe. Hoje vamos ter oito unidades funcionando com qualidade, com serviço inegável. Se olharmos para a situação da limpeza, a cidade estava tomada pelo lixo, não tinha investimento nessa área e por conta disso passamos um primeiro ano muito difícil. Tivemos que enfrentar as empresas que prestam serviço e pegamos na unha, determinamos várias metas, até que o serviço melhorou e hoje tem um padrão muito mais aceitável pela população. Na educação, estamos com um processo que nunca fui visto de reconstrução de mais de 80 escolas da nossa cidade, a construção de 40 novos equipamentos, a implantação da educação em tempo integral. Outro assunto é a Guarda Municipal: quando eu cheguei, ela trabalhava num esquema de trabalhar 12 horas e folgar 60. Não tinha equipamento, treinamento, só tinha um veículo. Qualificamos, treinamos, armamos, tiramos ela apenas da segurança patrimonial e levamos para rua, compramos as unidades móveis, mais de 40 viaturas, um trabalho de aperfeiçoamento. Na própria Transalvador, as viaturas eram cerca de 40, caindo aos pedaços, as pessoas desmotivadas e nós não só renovamos, como ampliamos, significativamente, a frota, hoje são mais de 100 veículos, fardamento novo, treinamento de pessoal, enfim. Eu não tenho dúvida de que pra qualquer setor do serviço público que você olhe, você vai ver avanços significativos, repito, pelos números. Mas você pergunta: prefeito, já é o que você quer como ideal? Claro que não. Para aperfeiçoar tem que melhorar sempre, e o que é importante é que as conquistas são significativas e estão consolidando um novo padrão de administração para a cidade.

Tribuna - O que mais tira seu sono, prefeito? Falta de recurso para o que pretende fazer?

ACM Neto - Eu não diria isso não, pois, nesse aspecto, avançamos muito. Salvador estava completamente cheia de dívida, R$ 3 bilhões, inadimplências que impediam a cidade de firmar convênios, descrédito total. Hoje, graças a Deus, as contas estão equilibradas, a cidade voltou a ter capacidade de investir com recursos próprios. Hoje eu tenho como disponibilidade de caixa algo em trono de mais de R$ 1 bilhão, por tanto, nesse aspecto, acho que todo esforço que foi feito, liderado por Mauro Ricardo, secretário da Fazenda, deu avanços importantíssimos. Veja que toda essa melhoria dos serviços públicos, toda recuperação da infra da cidade, as praças, quadras e campos, encostas, limpeza de canais, escadarias, asfalto, a orla, tudo isso é com recursos próprios e não há um centavo do governo estadual e federal.

Tribuna - O que acontecerá com a ligação Lapa-Iguatemi? Existe algum tipo de boicote do governo federal na demora de autorizarem o BRT?

ACM Neto - Eu acho que a gente tem até o fim de dezembro para chegar a uma conclusão se foi apenas o ajuste burocrático, principalmente com a Caixa Econômica Federal, ou se há, por trás disso, alguma determinação política. Eu não quero ainda carimbar pra dizer que existe a perseguição. Prefiro aguardar. Eu acho que a gente tem um prazo de até o fim de ano. A prefeitura cumpriu todas suas obrigações: aprovou o projeto do Ministério das Cidades e encaminhou ele para Caixa. A prefeitura realizou todo o processo de licenciamento ambiental, realizou o edital de pré-requalificação e agora, o que aguardamos? Apenas a autorização da Caixa para iniciar o processo de licitação da obra. A Caixa vinha apontado a necessidade de um acordo com o governo do estado sobre a integração na Estação Iguatemi, onde o BRT encontra com o metrô, e eu já disse ao governo que assumo os custos desse viaduto a mais que vai ter que ser construído para garantir a integração. A prefeitura fará com recursos próprios. Não há mais nenhum entrave ou dúvida sobre o assunto. Estamos aguardando o governo do estado dar o de acordo para a Caixa e, segundo ela, após essa certeza, a licitação será autorizada. Evidente que se houve algum problema ou algum novo atraso pelos outros governos, eu vou reunir a imprensa e vou falar abertamente o que está acontecendo.

Tribuna - Sobre a licitação da Lapa. O que será feito no local e se conseguirá inaugurá-la até 2016...

ACM Neto - Nós temos ali duas etapas de projetos: uma é a reestruturação da estação como uma estação de transbordo, e essa sim será inaugurada até 2016, o que significa dizer que o cidadão, usuário, já a partir de 2015, vai perceber as mudanças significativas que vão acontecer lá. O outro projeto, que é o do shopping center que será construído em cima da estação e, é, digamos, a contrapartida do município para o concessionário vencedor, esse não estará pronto até 2016. Mas o que interessa ao usuário do ônibus, ao cidadão, que é ter uma estação da Lapa segura, limpa, iluminada, com escadas rolantes todas funcionando, ordenada, com informação de horário de chegada e saída dos ônibus, tudo isso já a partir do ano que vem vai ser realidade em Salvador.

Tribuna - Licitação dos ônibus foi concluída. Quando a população vai realmente perceber a mudança da prestação do serviço e uma melhoria no sistema?

ACM Neto - A partir de janeiro. Devemos receber 700 novos ônibus na cidade. Vai ser a maior renovação de frota que Salvador já viu. Nós também vamos ter os ônibus acompanhados por GPS, o que vai permitir o usuário acompanhar onde está o seu ônibus, que horas ele pode chegar no ponto, para que ele possa se programar para isso. Também, a partir do ano que vem, vamos ter apenas três bacias. Isso vai dar muito mais clareza ao usuário. Serão três tipos e não mais 20 poucos tipos de ônibus. Também, com a chegada dessas novas linhas e veículos, vamos conseguir suprir um problema fruto da falência de duas empresas que gerou uma diminuição de números de ônibus rodando na cidade. Por mais que as empresas atuais tenham absolvido essas linhas, isso só vai ser melhorado no ano que vem. Além de tudo isso, já estamos fazendo o estudo de revisão das linhas da cidade, porém há uma determinação minha para que isso seja aplicado com toda cautela e ao longo do tempo de maneira gradativa. A gente sabe que as pessoas estão acostumadas a sair de sua casa e chegar ao trabalho com aquela determinada linha. Não podemos mudar da noite para o dia, sem antes comunicar e ter um processo de preparação e educação de todas as pessoas.

Tribuna - Sobre a recuperação da Orla, quando sairão as etapas do Rio Vermelho, Pituaçu e qual a sua expectativa para essa parte da cidade?

ACM Neto - Eu vou começar com o subúrbio até a orla norte da cidade. Houve um atraso, pois o projeto de lá é muito complexo e envolvia muitas interferências com a Coelba e Embasa e não dava para fazer algo malfeito. A partir desta semana publicamos e as obras que devem começar em no máximo 100 dias. Estamos em obras no Jardim de Alah, em Piatã, em Itapuã... Entregamos a Boca do Rio, no ano passado, e falando do Aeroclube, porque está na orla, as obras do parque já começaram e a nossa expectativa é que seja concedido em janeiro o alvará para a construção do shopping, e eu exigi que mesmo antes fosse inicia a obra do parque e já começou. Esse conjunto compõe o primeiro trecho de orla de Salvador. O segundo grupo de intervenções começa no ano que vem. Daí incluímos: orla da Boa Viagem, Canta Galo; o segundo trecho da Barra já está sendo licitado e há participação de recursos federais: vamos fazer do Barra Center até a Praia da Paciência em duas etapas. E todas outras áreas, como Stella Maris, Praia do Flamengo e, até o fim de 2016, todo esse conjunto deverá ser recuperado. Eu não tenho dúvida que em 2016 a capital terá outra orla e, na verdade, já começou a ter, e as pessoas estão vendo e aproveitando. Os moradores de São Tomé de Paripe, Ribeira, Barra, estão muitos felizes. O cronograma está indo de vento em popa.

Tribuna - Avanços na área de Educação ainda são tímidos e não percebidos. O ?Alfa e Beto? não funcionou em Salvador?

ACM Neto - Os avanços da Educação para serem consistentes e reais, eles não podem ser percebidos em dois anos. Estamos fazendo uma mudança estrutural na Educação de Salvador. Ela não vai acontecer a curto prazo e não aceito e nem aceitarei nenhum tipo de medida que possa ser populista e trazer um floreio e não tenha consistência, uma medida sustentável. Estamos tranquilos. Vamos chegar em 2016 com uma educação de maior qualidade, bem estruturada. Estamos fazendo um esforço tremendo nesta direção. Repito: sem procurar olhar o curto prazo e sim o horizonte extenso. Temos vários desafios, que vão desde a educação infantil até o ensino em tempo integral. Tenho certeza que, com o conjunto de medidas, serão substantivos e, principalmente, consistentes.

Tribuna - O ritmo das grandes obras da cidade não tem sido percebido ainda. Vemos a mudança em várias ações, mas por que os projetos mais pujantes não saem do papel?

ACM Neto - Quais são? Depende do que você considera pujante, isso é relativo. Eu considero que uma das principais ações da prefeitura são as nossas UPAs. Muita gente acha que é extraordinário, por exemplo, olhar a Barra. Mas lá custou R$57 milhões, e cada UPA construída custa R$ 5 milhões a sua instalação, contudo sua manutenção é de R$ 1,5 milhão por mês para a cidade. Se levar em consideração que teremos oito unidades em funcionamento, são R$ 160 milhões. Isso são mais de três Barras por ano. E o impacto disso é na vida de quem? Da pessoa mais pobre e que mais precisa. Salvador já investiu R$ 200 milhões na recuperação de asfalto, não só nos grandes centros, mas nos bairros populares e pequenas ruas das áreas mais pobres. Nunca foi investido tanto. R$ 200 milhões é muito mais do que o governo do estado fez nos viadutos da Paralela. Isso, pra mim, é um grande investimento, e olha que não falo das orlas, todas. E de outro conjunto que, às vezes, só quem mora no bairro pobre que tá tendo o benefício é quem sabe: melhoria na iluminação. Se de um lado a gente faz a iluminação em LED nas principais avenidas, do outro lado estamos nos bairros populares levando iluminação nas áreas mais violentas da cidade. Então eu acho que temos um conjunto e volume de intervenções que Salvador nunca viu. Estamos construindo, por exemplo, a ligação Cajazeiras ? Valéria, que somente ela, que vai ser a maior avenida dos últimos anos, custará R$ 50 milhões. Tem grandes obras em curso e eu diria que o conjunto do que está sendo feito é o que tem impacto. Às vezes as pessoas só olham para a Barra, mas o que gastamos na Saúde, Educação, na Infraestrutura, isso tem impacto orçamentário muito maior e tem uma dispersão na cidade muito mais significativa.

Tribuna - Já é possível perceber mudanças no trânsito, principalmente na melhoria da fluidez, mas qual a avaliação que o senhor faz e o maior gargalo a ser atacado?

ACM Neto - Estamos primeiro fazendo um conjunto de obras pontuais e de intervenções que vão ter impactos na cidade. A mudança de todo trânsito no Iguatemi, por exemplo. As pessoas que passam naquela região estão vendo a quantidade de obras que estamos fazendo. Na Paulo VI com repercussão e impacto inquestionáveis, as obras em Pirajá em que vamos melhorar muito o fluxo lá; Cajazeiras terá um impacto positivo nas intervenções que faremos lá; a duplicação da Baixa do Fiscal que já está em obra; e a integração entre Calçada e Subúrbio vai ser muito mais fluida e mais tranquila. Até o fim de dezembro terá a entrega da Ladeira do Cacau em São Caetano, um problema sério que acabou represando o trânsito de lá, e quando liberarmos vai facilitar muito. A recuperação dos planos inclinados da Calçada e Liberdade; o plano Gonçalves funcionando, o Elevador Lacerda também, o plano Pilar em recuperação, então tudo isso contribui para o trânsito da cidade. Outras ações estão programadas e nós estamos iniciando o processo de licitação do centro de operações integradas. Vamos ter no ano que vem, funcionando, o sistema de semáforos inteligentes, controlados em tempo real e acompanhados por cerca de 250 câmeras espalhadas em toda cidade com o objetivo principal de dar suporte à fluidez do trânsito. Tudo isso, é claro, tem que surgir combinado com as obras de mobilidade, parte delas tocadas pelo governo federal e estadual e também pela prefeitura, sendo que nossa aposta é o BRT, onde esperamos, no começo do ano que vem.

Tribuna - A empresa para gerir as parcerias público- privadas? Tem alguma previsão de quando sairá do papel?

ACM Neto - A empresa foi autorizada sua criação pela Câmara de Vereadores e não é para gerir PPP, mas para administrar os ativos da prefeitura. As PPPs são tocadas pela Casa Civil. Nós temos um grupo que toca as PPPs. E a primeira delas, já estruturada, é a do Hospital Municipal. Temos, apenas, que tomar a decisão se a parceria do hospital vai envolver obra e equipamento e operação ou só equipamento e operação, o que traz para a prefeitura a responsabilidade de fazer a obra pública. Vamos tomar essa decisão até o fim do ano. Temos estruturação de PPP na área de iluminação e estamos estudando para a educação. A constituição ou não da empresa vai depender da necessidade que o desenrolar dessas parcerias demonstrem. Na medida que a primeira PPP estiver estruturada, se ela demonstrar que é preciso que exista a empresa, para gerir as garantias dos ativos da prefeitura, nós vamos constituir a empresa.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

1º viaduto do Cocó liberado a partir de hoje

24/10/2014 O Estado do Ceará

Leia: Primeiro viaduto do Cocó será entregue ainda nesta semana - O Povo - Fortaleza

A partir de hoje, o viaduto localizado na Avenida Engenheiro Santana Júnior (nível 1) está liberado. O equipamento liga o tráfego para os motoristas que vêm do bairro Papicu em direção à Avenida Washington Soares. A pista lateral, no sentido inverso ao do viaduto nível 1 também está pronta e liberada para o trânsito. Para garantir a segurança dos pedestres, a pista lateral conta com gradil de isolamento do Parque do Cocó.

"Com o viaduto nível 1 liberado, vamos poder restituir a normalidade no fluxo da região do Papicu para a Avenida Washington Soares. Já começamos a desfazer os desvios que tínhamos feito para a conclusão da obra. Esse será um dos principais impactos dessa liberação. Como os veículos tinham que desviar por vias estreitas, o trânsito ficava muito intenso. Agora, o trânsito fluirá mais rápido", explica Samuel Dias, titular da Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf). Segundo ele, até o final do mês, os níveis 0 e 2 serão liberados.

A construção dos dois viadutos no entroncamento das Avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Jr, no Cocó, destaca o secretário, faz parte da implantação do corredor Antônio Bezerra/Papicu. O corredor tem 17,4km de extensão e vai beneficiar os usuários de transporte público em Fortaleza.

Segundo a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), um levantamento realizado em setembro desse ano aponta que, diariamente, 41.200 veículos passam pela Avenida Engenheiro Santana Júnior. A AMC informa, ainda, que agentes de trânsito estarão na região para orientar o trânsito nos primeiros dias de liberação do viaduto.

INVESTIMENTO

De acordo com Samuel Dias, a construção dos viadutos tem o investimento de R$ 18 milhões, financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o apoio do Governo do Estado. A previsão de conclusão completa da obra era de 14 meses, porém, conforme o secretário, a construção vai ser entregue em 12 meses. "Lembrando que a obra ficou parada por quatro meses. Foram três meses de ocupação pelos manifestantes e um por causa da greve da construção civil. Mesmo com essa paralisação, adiantamos a obra", aponta o titular da Seinf.

Hoje, segundo a Prefeitura de Fortaleza, foram executados 95% de todo o projeto. Os operários trabalham agora nas seguintes obras: encabeçamento (ligação do equipamento com a pista) do segundo viaduto (nível 2), que faz a ligação da Avenida Antônio Sales ao bairro Papicu; intervenções de urbanização, pavimentação e paisagismo das vias no entorno; obras complementares, como o asfaltamento do viaduto nível 2; finalização de canteiros e calçadas, expansão da largura das vias e uma elevação no nível da pista, além da sinalização e iluminação do ambiente.

Com a conclusão das obras dos viadutos, o secretário adianta que a Seinf vai dar sequência à implantação das faixas exclusivas de ônibus nas avenidas Domingos Olímpio e Antônio Sales. "Vamos dar, ainda, sequência à construção do túnel da Engenheiro Santana Júnior com a Avenida Padre Antônio Tomás, que também faz parte da implantação do corredor Antônio Bezerra/Papicu. Além disso, em novembro vamos entregar as estações do Bus Rapid Transit (BRT) e as ciclofaixas na Avenida Antônio Sales que seguirão até a Monsenhor Catão", afirma Dias.

Fluxo de ônibus

Com a liberação da Av. Eng. Santana Júnior, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) retornará o itinerário original de 12 linhas de ônibus que estavam realizando desvios. A partir de amanhã, todos os coletivos que fazem o trajeto em direção ao terminal do Papicu passarão a seguir pela via que será liberada, reduzindo o tempo de viagem dos passageiros.

004-Messejana/Papicu/Cambeba TJ

021-Luciano Cavalcante/Papicu

023-Edson Queiroz/Papicu(Corujão)

034-Av. Paranjana I (Corujão)

041-Parangaba/Oliveira Paiva/Papicu

051-Grande Circular I

055-Grande Circular I(Corujão)

068-Messejana/Papicu/Cambeba

712-Conjunto Palmeiras/Papicu

815-Cidade dos Funcionários/Papicu/Tancredo Neves

825-Cidade dos Funcionários/Papicu/Jardim das Oliveiras

835-Defensoria/Papicu/Via Câmara

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Nova Estrada do Curralinho será aberta na quarta-feira

20/10/2014 -  A Tarde - BA
Será entregue na próxima quarta-feira, 22, às 8h30, a Estrada do Curralinho, nova ligação entre as avenidas Paralela e Luís Eduardo Magalhães e o bairro do Stiep.
A nova ligação é formada por duas vias, compostas por duas faixas de trânsito cada, que totaliza dois quilômetros de extensão. Para a obra, executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), foram investidos R$ 5 milhões na execução dos serviços de pavimentação e urbanização, além da implantação de passeios, iluminação pública e paisagismo.
O objetivo, segundo informações da assessoria de comunicação do órgão, é desafogar o grande tráfego de veículos em duas áreas constantemente congestionadas da capital baiana: a avenida Tancredo Neves e o acesso ao bairro do Costa Azul.
A ligação viária cria alternativas de tráfego, principalmente para quem costuma passar pelos bairros do Stiep, Costa Azul, Imbuí, Boca do Rio e Jardim Armação.
A estrada é integrada às alças de ligação da avenida Luís Eduardo Magalhães com a BR-324, aos viadutos e às vias marginais da Paralela, intervenções do programa Mobilidade Salvador, do Governo do Estado da Bahia, inauguradas este ano.
Em nota, o diretor de Obras Estruturantes da Conder, Sérgio Silva, informou que, após a liberação do tráfego entre a avenida Luís Eduardo Magalhães e a Estrada do Curralinho, as vias do entorno serão monitoradas pela Transalvador para avaliar o impacto no sistema viário local e a adoção de possíveis ajustes. A expectativa do órgão é que haja redução dos engarrafamentos em vias importantes.
Roteiros
O condutor que trafega da Paralela sentido centro da cidade poderá seguir pela alça do viaduto da avenida Luís Eduardo Magalhães e a nova ligação até a Estrada do Curralinho para chegar a Boca do Rio e Orla Marítima, evitando o fluxo intenso de veículos da Tancredo Neves.
O novo acesso servirá, ainda, para quem desejar transitar pelos bairros adjacentes à Orla Marítima e opte por sair da cidade utilizando a BR-324. Para tanto, basta seguir pela nova alça de acesso à Paralela até a avenida Luís Eduardo Magalhães pelo viaduto existente no local até a rodovia federal.
Moradora do Stiep há sete anos, a empresária Sandra Carvalho, 41, acredita que a nova via vai reduzir o tempo do trajeto que ela faz diariamente até o shopping Pararela. "Chego a levar 40 minutos do Stiep até o início da Paralela por conta do engarrafamento nas proximidades do hospital Sarah", contou.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Viaduto da Bento Gonçalves, em Porto Alegre, deve estar pronto no fim do ano

13/10/2014 - Jornal do Comércio - RS

Uma das rotinas mais comuns na vida dos porto-alegrenses é comentar sobre os atrasos das obras de mobilidade da cidade. Também, seria impossível o assunto não ser pautado diariamente, pois, a cada trajeto, cavaletes, placas, buracos e guindastes os fazem lembrar dos cronogramas não cumpridos e dos problemas de trânsito causados pelas intervenções. Inicialmente prometidas para antes da Copa, algumas das obras só devem estar concluídas no final de 2016, como é o caso da duplicação da avenida Tronco, que emperra nas desapropriação de  1.525 famílias. Ao todo, foram firmados oito contratos de obras de mobilidade, com valor de R$ 424.682.362,89, vinculados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Em junho deste ano, a reportagem do Jornal do Comércio percorreu todas estas obras para observar o andamento e comparar a execução com os cronogramas apresentados pela prefeitura. Quatro meses depois, a visita foi repetida. Foi observado que algumas intervenções avançaram, mas outras continuam em estágio semelhante ao encontrado em junho. A construção da passagem subterrânea viária da avenida Ceará sob a Farrapos segue parada. Já a trincheira da Plínio Brasil Milano ainda não iniciou.

A primeira construção que deve ser entregue à população é o viaduto da Perimetral com a avenida Bento Gonçalves. A previsão é de que ele seja liberado ao tráfego até o final do ano - sete meses de atraso em relação ao cronograma. "Além da estrutura, temos que realizar obras nas vias adjacentes. Assim, o viaduto será entregue antes, até o final do ano, e depois serão concluídas as obras das ruas laterais, o que deve ocorrer em março de 2015", explica o engenheiro Rogério Baú, coordenador técnico das obras de mobilidade urbana da Secretaria Municipal de Gestão.  

As obras do viaduto, que ligará as avenidas Salvador França e Coronel Aparício Borges, iniciaram em agosto de 2012. Com investimentos no valor de R$ 69,6 milhões, sua conclusão estava prevista para maio deste ano. A estrutura terá extensão total de 540 metros, com seis faixas de tráfego, e vai incorporar a estação de ônibus do corredor da Terceira Perimetral.

A duplicação da avenida Tronco, que começou a ser executada em 2012, é certamente o trabalho mais complexo que a prefeitura enfrenta atualmente, pois envolve a desapropriação de 1.525 famílias. Ao todo, 595 famílias já foram removidas e estão recebendo bônus-moradia ou aluguel social, com um impacto de R$ 24 milhões, segundo o engenheiro. A previsão de conclusão total dos 5,4 km é dezembro de 2016. De acordo com Baú, esta obra tem sido realizada por trechos à medida que as famílias vão sendo reassentadas.

"Hoje, estamos trabalhando no trecho da Teresópolis, que possui 800 metros, e na avenida coronel Gastão Haslocher Mazeron, também com 800 metros. A previsão de conclusão desses trechos é até o final do ano. Estamos abrindo um novo foco de trabalho no miolo da Tronco, onde já existe 1 km de via executado. Isso foi possível porque 300 famílias deste local foram recentemente deslocadas", explica. No trecho de obra já executado, existe um grande acúmulo de lixo e os futuros corredores de ônibus estão sendo utilizados como estacionamento.

O investimento total é de R$ 156 milhões, sendo R$ 33 milhões na obra viária, incluindo as estações de ônibus. Também está prevista a implantação do Terminal BRT Cristal, que abrigará um centro popular de comércio, onde irão trabalhar os comerciantes que saíram do leito da avenida.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Pacote de obras no transporte vai criar o terceiro acesso a Limeira, SP

10/10/2014 - G1 Piracicaba

Leia: Ministro assina em Limeira (SP) convênio de R$ 41,6 mi para mobilidade - Gazeta de Limeira
arc
A cidade de Limeira (SP) vai ganhar uma terceira opção de acesso ao município, a estrada que liga o bairro Tatu à Rodovia Anhanguera (SP-330), com três quilômetros de extensão. A obra deve começar a ser executada nos próximos seis meses com uma verba de R$ 6 milhões. A intervenção está dentro de um pacote de melhorias no transporte anunciado nesta quinta-feira (9), com a presença do ministro das Cidades, Gilberto Occhi.

O município vai arcar com R$ 600 mil do valor, por conta de um contrato firmado entre o município e a Caixa Econômica Federal (CEF) que prevê R$ 41,6 milhões, liberados para a criação do novo acesso e outras duas obras de mobilidade urbana na cidade. Com a assinatura do convênio, a cidade já pode abrir a licitação para a realização das obras.

A inciativa vai impulsionar o desenvolvimento na região, procurada pelos atrativos de lazer que oferece, bem como por seu potencial empresarial. "É uma região com forte potencial de desenvolvimento, que possui projetos de empreendimentos habitacionais e empresariais", afirmou o prefeito de Limeira, Paulo Hadich.

Os dois acessos viários ao município existentes atualmente são o do Km 143 da Rodovia Anhanguera (SP-330) e o da avenida vias Antonio Cruañes Filho.

Outras duas obras

A duplicação e reconstrução da Via Jurandyr Paixão, uma reivindicação antiga dos motoristas que trafegam pela região, também será contemplada com repasse de verbas. Serão sete quilômetros revitalizados que vão custar 20 milhões. A contrapartida da Prefeitura, neste caso, vai ser de R$ 2 milhões. As obras têm prazo de conclusão de dois anos.

O anel viário é a terceira obra do pacote anunciado. A via que circunda a cidade também será revitalizada em seus 15 quilômetros de extensão. As obras, que vão custar R$ 15 milhões, incluem a recuperação de pavimento, captação e drenagem de águas pluviais, sinalização e urbanização. A Prefeitura vai arcar com R$ 1,5 milhão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ministro assina hoje em Limeira (SP) convênio de R$ 41,6 mi para mobilidade

09/10/2014 - Gazeta de Limeira

O ministro das Cidades, Gilberto Occhi, assina hoje em Limeira, com o prefeito Paulo Hadich (PSB), três contratos para obras de infraestrutura urbana que culminarão em R$ 41,6 milhões de investimentos no município - R$ 37,5 milhões do governo federal e R$ 4,1 milhões de contrapartida da Prefeitura.

O montante será aplicado no anel viário, na Via Jurandyr Paixão de Campos Freire (Horto Florestal) e na estrada que liga o Tatu até ao bairro dos Lopes. Esta última obra, com cerca de R$ 6,6 milhões previstos (R$ 6 milhões do convênio e R$ 600 mil da Prefeitura), resultará em uma nova alternativa de acesso a Limeira, pela Rodovia Anhanguera, pois toda a estrada, em seus três quilômetros, será pavimentada.

Dessa forma, a Prefeitura pretende transformar desde a região anterior ao Horto, na altura da Cerâmica Batistella, em um pólo atrativo para novos investimentos, pois o acesso ao local não dependerá mais do anel viário.

ESTRADA DO HORTO

Além da nova estrada pavimentada, o pacote contempla a duplicação de toda a extensão da Via Jurandyr Paixão de Campos Freire (Via Tatuibi), até o bairro Tatu. O valor estimado é de R$ 20 milhões, pois essa ação incorpora a duplicação do Viaduto Paulo Natal. São R$ 18 milhões de financiamento público e R$ 2 milhões de contrapardida.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Viadutos do Cocó vão funcionar até o fim deste mês

07/10/2014 - Diário do Nordeste - Fortaleza


Pivôs de inúmeras polêmicas, os viadutos das avenidas Antônio Sales e Engenheiro Santana Júnior, no bairro Cocó, serão entregues à população ainda neste mês, garante o secretário de Infraestrutura de Fortaleza, Samuel Dias. Cerca de 90% da obra estão concluídos, faltando apenas o encabeçamento dos equipamentos, além de intervenções que envolvem urbanização, pavimentação e paisagismo da via.

Inicialmente, o gestor havia ressaltado que os viadutos seriam finalizados em outubro, mas fez ressalvas quanto à data de entrega. O secretário se precavia quanto às obras complementares, como a construção de canteiros e calçadas e a sinalização e iluminação do ambiente. Ontem, porém, Dias assegurou que o aparelho já receberá veículos até o fim deste mês.

"Na verdade, os viadutos já estão prontos. O que está sendo feito agora é o encabeçamento, que é a ligação dos viadutos com a pista. Até o fim do mês, sem dúvida, esta obra vai estar entregue, pronta e funcionando", garante Samuel Dias.

Dentre as obras de pavimentação que serão concluídas, estão a expansão da largura das vias e uma elevação no nível da pista. "Embaixo dos viadutos, tem toda uma parte de urbanização, com canteiros, calçadas e iluminação, paisagismo e pavimentação das vias, que estão mais largas e sofreram uma elevação de 80 cm para evitar inundação e problemas com drenagem", salienta o secretário. Desde o último dia 22, a conversão à esquerda na Rua Francisco Gonçalves, para quem segue na Av. Engenheiro Santana Júnior, sentido Sul-Centro, está proibida.

O desvio, que tinha previsão de ir até o dia 1º, terminará hoje, assegura Samuel Dias. As obras do viaduto completaram um ano no último domingo (5).

Fiscalização

Ontem, a Prefeitura começou a fiscalização eletrônica em caráter educativo em mais uma faixa exclusiva de ônibus na Capital. Os motoristas que trafegarem sob a área exclusiva dos coletivos na Avenida da Universidade, nos próximos 30 dias, receberão um alerta da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC).

Segundo o secretário de infraestrutura, a implantação desses corredores exclusivos já aumentou em 40% a velocidade dos coletivos. "As pessoas ainda estão em fase de adaptação, mas já podemos observar ganhos com a implantação dessas faixas de ônibus. Isso é importantíssimo, porque grande parte da população anda de ônibus", avalia.

Obras deixam trânsito lento na Av. Bezerra de Menezes

Os congestionamentos na Avenida Bezerra de Menezes já fazem parte do dia a dia dos motoristas, principalmente nos horários de pico. A situação ficou ainda mais complicada desde o mês de maio, quando começaram as obras do corredor exclusivo de ônibus Antônio Bezerra/Centro, que ocupam uma faixa, nos dois sentidos, em alguns trechos.

A partir do cruzamento da avenida com a Rua Padre Anchieta, o trânsito vai ficando mais lento e, consequentemente, complicado. O problema acaba se estendendo por vários quarteirões. A fila de ônibus e vans é tão grande que fica quase impossível conseguir contar. Carros e motos se apertam nas outras faixas da via e acabam demorando vários minutos para percorrer poucos metros.

Com o intuito de fugir do engarrafamento, os motoqueiros utilizam o espaço destinado aos ciclistas, já que a obra os impede de usar a ciclovia. Além disso, alguns pedestres também usam aquela área. Assim, quem anda de bicicleta encontra diversos obstáculos pela frente.

Os pedestres são bastante prejudicados com o trânsito intenso, já que sobram poucos espaços para atravessar a avenida, mesmo com o semáforo fechado. Passar de um lado para o outro da Bezerra de Menezes se torna uma tarefa demorada e perigosa.

Todos os dias, o vendedor Francisco Fábio da Silva recebe reclamações de seus clientes devido à situação do trânsito na Avenida Bezerra de Menezes. "Os clientes chegam aqui e a primeira coisa que fazem é reclamar da lentidão e do congestionamento. Até mesmo os ônibus estão demorando mais".

Para Fábio da Silva e seus companheiros, a situação também ficou complicada. Seja de carro, moto ou transporte coletivo, ficou mais difícil chegar e ir embora do trabalho.

A implantação do BRT do corredor exclusivo de ônibus Antônio Bezerra /Centro tem prazo de entrega até o dia 15 de novembro, garantiu o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), Samuel Dias. A data estipulada pelo órgão marca quase dois meses de atraso em relação ao primeiro prazo, que era ainda em setembro.

Estações

O secretário ressalta que as dez estações ao longo da via estão em andamento e que o próximo passo é finalizar as ilhas de coleta de passageiros. "As estações de aço, que serão colocadas dentro das ilhas que estão sendo construídas, já estão sendo fabricadas, e a expectativa é que, na primeira quinzena de novembro, possamos entregar a via completa e funcionando", projeta o secretário, ressaltando que o primeiro ônibus expresso já se encontra em Fortaleza.

Samuel Dias define, a partir da mudança das faixas exclusivas da direita para a área central, os três grandes beneficiados com a implantação do corredor. "Vai melhorar a vida do condutor de veículo, que vai estar circulando junto aos comércios. Vai melhorar também a vida dos comércios, que vão ter acesso mais fácil aos motoristas. E vai melhorar ainda o transporte coletivo, que deixa de ter a interferência com os carros quando esses vão fazer a conversão à direita", salienta o gestor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Últimos dez anos: Frota dobra e piora engarrafamento

01/10/2014 - Diário do Nordeste - Fortaleza


Sair de casa e enfrentar os engarrafamentos cada vez maiores é um dos desafios enfrentados por quem vive nas capitais brasileiras. Em Fortaleza, a frota de carros aumentou, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), 108,5%, nos últimos 10 anos. Enquanto isso, o crescimento populacional em igual período foi de 10,2%, de acordo com o IBGE. O comparativo revela que o problema da mobilidade urbana é, sobretudo, por causa do aumento exagerado da frota de veículos e não do inchaço populacional.

Em 2004, a Capital contabilizava 2.332.657 habitantes e 441.949 veículos. Em 2014, a população subiu para 2.571.980 e a frota chega a 921.544 (dados até maio desse ano). No Interior, o número é ainda mais alarmante. Há dez anos, a população era de 5.643.960 e aumentou para 6.270.895 nos dias atuais, um crescimento de 10,8%. Já a frota subiu de 449.358 para 1.531.580 automóveis, o que concretiza um aumento de 240,84% em uma década.

Para se ter uma ideia do que representa esses números, em Fortaleza, existe um veículo para cada 2,7 habitantes. Dado revelador que a Capital está na contramão do que se prega em termos de mobilidade, visto que é preciso maior adesão da população aos coletivos e desvalorização dos transportes particulares.

A professora Sylvia Cavalcante, coordenadora do Laboratório de Estudos das Relações Humano-Ambientais da Universidade de Fortaleza (Unifor), explica que essa situação acontece pela associação de três fatores: melhoria de vida da população, facilidade no financiamento e diminuição da qualidade do transporte público. "Nossa cidade não é convidativa para o uso de outros modais. As calçadas são péssimas e temos pouca arborização para que as pessoas possam andar a pé. Agora estão fazendo algumas ciclovias. Mas o transporte público péssimo e a insegurança fazem com que as pessoas prefiram o carro", diz.

Outro fator relevante é o fascínio que o automóvel exerce. Mais do que uma necessidade, é também um questão de status. "O carro promete vencer o tempo e espaço com conforto. Mas hoje não é assim. Às vezes, ir a pé ao médico pode demorar dez minutos, enquanto que de carro pode levar 20 minutos. O carro não é simplesmente um meio de transporte, ele te dá uma satisfação e um status que só pode ser comparado à casa própria", afirma a especialista.

Consequências

Contudo, a professora da Unifor tem uma perspectiva de melhora, sobretudo se houver uma colaboração dos gestores públicos e usuários. "É o começo dessa mudança, principalmente, porque as pessoas estão sofrendo com as consequências desse padrão de mobilidade. Mas precisamos avançar muito. Todas as obras de mobilidade na cidade só favoreceram o carro, em quanto que os outros modais continuam esquecidos", alerta.

O promotor de Justiça do Núcleo de Atuação Especial de Controle, Fiscalização, Acompanhamento e Políticas de Trânsito (Naetran), Antônio Gilvan Melo, concorda que a falta de planejamento público colabora para essa situação. "Está tudo errado. Pode até fazer uma outra cidade elevada, mas não será o suficiente. Só o transporte coletivo poderá ser uma solução, mas é preciso melhorar a qualidade. É preciso ter vias para se transitar e é preciso fazer um rodízio para contornar esse caos".

A professora e pesquisadora do curso de Arquitetura e Urbanismo, Fernanda Rocha, argumenta que - mesmo a cidade estando cheia de obras que prometem garantir a mobilidade - não se percebe melhora. "Pelo contrário, só vi piora. Não se resolveu o problema do trânsito, nem da acessibilidade e muito menos da segurança", argumenta ela, que aponta ainda em vários problemas sociais decorrentes da falta de socialização.

"As pessoas usam os carros porque têm medo de assalto. Mas a segurança se dá quando o cidadão ocupa as ruas", diz. Fernanda alerta que se esse crescimento continuar e não houver uma mudança de mentalidade dos gestores e da população, a cidade vai entrar em colapso. "É preciso promover o transporte democrático e trabalhar a educação em relação a essa sociabilização", alerta.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cultura da favela ‘persegue’ os reassentamentos urbanos

26/09/2014 - Gazeta do Povo

As assistentes sociais Rosemeiri Morezzi, 38 anos, e Rosiane de Araújo, 50, nunca estiveram em áreas de risco como o Haiti ou Faixa de Gaza. Mas se as mandassem para lá – em missão – iriam sem dificuldade. Ambas são funcionárias da Companhia de Habitação de Curitiba (Cohab-CT) e coordenam a transformação de ocupações irregulares em vilas comuns. Não enfrentam terremotos, tufões, epidemias ou bombardeios, mas precisam ter nervos de aço, tanto quanto. Regularizar e reassentar, para elas, são verbos sem voz passiva.

A cada vez que uma zona favelizada – e são mais de 250 na capital – tem seu programa de regularização fundiária aprovado pelo governo federal, é preciso se preparar para batalhas. Duram em média dois anos – e funcionam como uma difícil partida de xadrez. Embora na aparência as ocupações sejam parecidas, diferem na história, na organização comunitária, nas expectativas. Cada lugar oferece desafios muito particulares – do excesso de cachorros, passando pela briga de vizinhos e ingerência de políticos à intransigência do chefe do tráfico.

Moradores podem fechar as portas dos barracos aos recenseadores, como aconteceu nas áreas conhecidas como Padilha-Xisto e Esmeralda, no Xaxim. Um grupo instalado em um fundo de vale, fincar o pé, sob ameaça de não sair dali nem sob o imperativo das enchentes – a exemplo dos moradores da Bacia do Rio Formosa. Sem falar na conhecida solidariedade das classes populares: sempre cabe mais um agregado no quintal, o que põe a perder os orçamentos públicos para certas áreas.

Difícil equação

"Quando chega a hora do reassentamento, tem o dobro de gente do que havia no início do processo. Congelar a área é um problema. Chego lá e o seu João da casa 20 construiu um puxado nos fundos... No Parolin e na Formosa tivemos de contar com a ajuda das lideranças", lembra Rosemeiri Morezzi, do Departamento Social da Cohab-CT.

A gerente, Rosiane e suas equipes têm de lidar com isso. Precisam negociar cada etapa – e cada vontade. "Aqui não tem um dia igual ao outro. Resolvemos equações dificílimas. É tarefa de alta complexidade", brincam.

O saldo tem sido positivo, em especial no que diz respeito a uma dessas equações – a que promove os "reassentamentos". O termo soa estranho para quem mora numa cidade grande, pois parece associado ao campesinato. Mas é uma palavra chave. Nas zonas de risco – como as beiras de rios – se encontram as piores condições de moradia. É preciso reassentar. O que muita gente se espanta é saber que as assistentes sociais encontram tanta resistência em convencer os moradores a pegarem sua chave e se mudar para conjuntos habitacionais tinindo de novo.

Motivo: não raro a vida nova é sinônimo de saltar alguns quilômetros de onde estão, longe do trabalho, do Centro e das raízes. Como não há terrenos próximos para todos, exige-se relocações para os arrabaldes, em regime de exceção, ou de desacordo, dirão alguns, com as normativas das políticas de habitação e de direitos humanos. "Eu morava na Vila Leão, no Novo Mundo, agora estou aqui. Me sinto isolado do mundo", lamenta o porteiro Juraci Ferreira da Silva, 47 anos, morador da Vila Arroio, ao lado do "porto seco" da CIC.

Avanços

De 2009 – ano em que as regularizações e reassentamentos ganharam impulso – para este ano, 6.246 famílias deixaram as margens de rios e se mudaram para vilas recém-criadas, com cujos nomes a população ainda se acostuma: Jandaia, Arroio ou Laguna, para citar três áreas que receberam gente de 62 ocupações das mais castigadas. O número de reassentados nessa leva equivale a mais de 20 mil pessoas, o que corresponde a metade dos curitibanos que vivem ao sabor das águas em seis bacias – as dos rios Barigui, Ribeirão dos Padilhas, Iguaçu, Belém, Atuba e Passaúna.

A política de reassentamento pode não ser uma unanimidade, mas é sem dúvida uma reviravolta no cenário urbano. Causa espanto que não seja observado com mais frequência pela sociedade organizada, pelo que representa no combate à pobreza, violência e promoção da infância e da juventude. O próprio promotor da mudança, o governo, peca por isso.

Depois de inaugurado, um reassentamento conta com a presença de assistentes sociais por apenas seis meses. É até onde a verba pública dá. O consenso é de que o ideal seria um período de um ano e meio, de modo a ajudar a comunidade – não raro formada por pessoas sem vínculos, oriundas de até seis vilas esparsas por aí – a sepultarem as práticas trazidas da informalidade. Vale o trocadilho: elas saem da ocupação, mas a ocupação não sai delas. Políticas mais longevas de pós-assentamento, já.

Vias novas podem parecer dormitórios ou "sucursais" das antigas favelas

A história da moradia popular em Curitiba vive uma nova florada – talvez a mais importante. Foi uma verdadeira saga chegar até aqui, a partir de novembro de 1966, quando a cidade abrigou o terceiro conjunto brasileiro do Banco Nacional de Habitação (BNH), a Vila Nossa Senhora da Luz, pioneiro no Paraná. Outras iniciativas vieram, mas não deu muito certo, como se sabe. A cidade continuou a ganhar mais e mais ocupações irregulares, até chegar à proporção de um curitibano sem-teto a cada cinco moradores.

Os demais capítulos passam pela bem-sucedida implantação de conjuntos como o Caiuá, loteamentos do naipe do projeto Bairro Novo – também no livro de ouro -, e pela duvidosa política de primeiro deixar ocupar, para depois regularizar. O preço foi violência, degradação do meio ambiente, milícias, atraso educacional, para citar algumas mazelas.

Por essas, o reassentamentos de moradores de beira de rio – cujo impulso nos últimos cinco anos é notável – merece seu lugar entre as melhores notícias do urbanismo nos anos 2000, para além de seus contornos políticos.

Via de regra, esses moradores estão sendo reassentados nas áreas em que viviam, em zonas secas e seguras. Mas mudança para outros locais se tornaram uma contingência, seja no Cajuru e Uberaba, CIC ou mesmo Santa Quitéria e Novo Mundo. Mesmo em meio a reclamações com a demora do ônibus ou com a falta de mercados, difícil encontrar um reassentado que não se diga "recomeçando a vida". É flagrante o efeito da moradia nas relações de trabalho, familiares, na retomada dos estudos. Aqui e ali, os reassentamentos são um repertório de depoimentos que só confirmam que o direito à habitação muda tudo.

As casas iguais, contudo, não podem ser confundidas a vidas iguais. O Moradias Corbélia, por exemplo, é formado por gente de 12 lugares diferentes, oriundos de regionais como CIC, Portão e Santa Felicidade. Está num alto, de onde a população vê a cidade, um privilégio, com grande incidência de ventos e temperaturas mais baixas do que a média. Mas chegar até ali exige vencer as ruelas da Vila Sabará e seus problemas em cascata.

Em conversa com reassentados, têm-se uma espécie de catálogo do que são as vilas populares e sua brava gente brasileira. O Corbélia é o bairro do aposentado Mizael Cardozo de Souza, 53 anos, que doou parte de sua casa para criar uma igreja evangélica. Tudo no templo é tão bem apurado quanto numa loja elegante. Impressiona. É a vila de Aline e Elias, que conheceram o abandono das ruas e a violência. Hoje vivem às turras com o pedreiro que sumiu. É também o endereço do comerciante João Pelegrini, 63 anos, que tem saudade de morar mais perto do Centro – um sentimento comum a todos.

O Moradias Laguna, no Tatuquara, igualmente merece figurar entre um dos laboratórios da Curitiba reassentada. Nasceu para abrigar os que estavam em zona de risco no Vila Terra Santa – que em tempos idos, só de ser falada, causava calafrios. Laguna e Corbélia só são semelhantes no layout das casas. A vila da CIC é silenciosa e tomada por rabiolas nos fios de luz e crianças na porta do Picolé Skimó. A do Tatuquara – criada debaixo das torres da Copel – é território de som alto saindo das casas, legiões de cachorros de rua, e tanto comércio que é mais fácil contar as moradias que não viraram portinhas. "Sentimos falta do pessoal da Cohab-CT. Era bom quando eles andavam por aqui", diz a aposentada Maria José da Silva.

No Laguna se repete a máxima de que vila popular alterna uma igreja e uma mesa de bilhar. Pode-se ver as mesas nas garagens. Sempre tem um morador para sussurrar que algumas coisas ruins do Terra Santa vieram para o Laguna. A Cohab já registrou casos de famílias que pediram para mudar de endereço dentro da comunidade, temendo a vizinhança "de poucos amigos".

Outra "tipologia" é o Moradias Arroio, ao lado do "porto seco", na CIC. É vila pequenina e artificial, nascida em meio àqueles entroncamentos de rodovias próprias da região industrial. A exemplo do Corbélia, parece um dormitório. Ainda não há associação de moradores. O comércio só se desenha. Na falta de um representante, os moradores apontam o ex-craque Calita - Carlos Marques da Luz, 78 anos – como o ilustre que faz do Arroio um lugar de verdade. Ele exibe suas glórias nos campos, guardados numa pasta de recortes de jornal. "Pede para o Calita mostrar a pasta", grita um. Calita mostra. Depois conta que vivia no Bigorrilho. Paciência. E que varre a frente a calçada todos os dias. É um cuidado que não dispensa.

Refavela?

Comunidades reassentadas são propensas a repetir a informalidade das favelas. Poder público "pisa em ovos" para respeitar passagem dos moradores à nova condição. Transição é melhor quando há permanência de assistentes sociais na área por mais de 6 meses.

1. Vida nova: Unânimes, consultados concordam que, mesmo se favelizando na aparência, famílias tendem a adotar novas práticas ao serem reassentadas. Posse da casa e contrato com a Caixa Econômica demarcam retomada. Presença de técnicos da Cohab, mesmo havendo atrito, muda rotinas de moradores. "Não imaginava que eu ia estar viva para ver minha casa própria. Aqui é meu reino. Eu era dependente. Um médico disse que ia assinar meu atestado de óbito por antecedência. Hoje tô aqui", diz Aline, 25 anos, moradora do Corbélia, na CIC.

2.Comunidade: Em geral, comunidades formam associações e reproduzem modelos do movimento social. O agravante é quando moradores de reassentamentos vêm de ocupações com culturas muito diferentes, demorando a criar vínculos. Muitas delas, como a Corbélia, na CIC, são bairros dormitórios. "Acho que eles já têm identidade. Mas ainda precisamos trabalhar valores. Faltam mais grupos, de crianças, idosos, meio ambiente", diz Ana Carolina Canalle, 31 anos, assistente social na Bacia do Barigui.

3.Comércio: Cohab tem política para garantir a comerciantes de ocupações irregulares um bom ponto nas novas vilas, de modo a permanecer na atividade que lhes dá sustento. Em geral, esses moradores ficam com as esquinas. Moradores reclamam ausência de supermercados e farmácias. Quem olha de fora, espanta-se com o avanço do comércio informal. Secretaria Municipal de Urbanismo alega dificuldade logística em controlar alvarás e não tem números disponíveis.

4. Reformas: Assim como não informam à prefeitura abertura de comércio, moradores tendem a não pedir licença para fazer obras. É um problema. Casas populares não têm fundações preparadas para certas intervenções, como segundos e terceiros pisos. Pesquisa de pós-ocupação (uma exigência do governo federal), feita nas vilas Jandaia (Ganchinho) e Arroio (CIC), indica que 48% já fizeram "puxados". Não há informações se reformas são regulares e seguras ou não. Cohab dá manual de orientação, e oferece um setor de autoconstrução, com sugestões. É de graça, mas até 70 metros quadrados.

5. Venda da casa: Dados sobre especulação imobiliária em áreas de reassentamento ainda estão em processo. Cohab admite que 20% não se adaptam e voltam para as áreas de origem. Imóvel é repassado a quem estiver na vez. Quanto à venda de casas por especulação, pode chegar a 10%, mas na média não deve passar de 5%. Reassentados são informados de que imóveis vendidos deixam de ser subsidiados, e segundos compradores não desfrutam dos recursos de programas como o PAC. Mesmo assim, há quem os troque por um carro ou se renda aos especuladores. Colocar casa no nome da mulher é estratégia bem-sucedida. Elas se desfazem menos dos imóveis.

6. Agregados: Em algumas áreas, como a da Vila Corbélia, na CIC, chega a haver 2 mil famílias para pouco mais de 500 domicílios. Casas de 42 metros quadrados, logo, seriam superpopulosas, graças aos agregados, o que implica em risco social e favelização. Para Cohab, prática não é tão comum: em reassentamentos já pesquisados, 56% das casas têm entre 3 e 5 pessoas. Apenas 5% abrigam 8 ou mais de 8. "Eles vão recebendo mais famílias. É por solidariedade. Mas gera um problema – os que chegam querem ser atendidos. E a estrutura não aguenta", diz a assistente social Ana Carolina Canalle, da Bacia do Barigui.

7. Ocupações: Alguns conjuntos habitacionais para reassentados ganharam como vizinhos novas ocupações irregulares, numa espécie de círculo do vício. Para moradores da área regularizada, vizinhos lembram muito o passado, em especial no quesito violência.