quinta-feira, 26 de junho de 2014

Prazo para cidades apresentarem seus planos vence em abril de 2015

26/06/2014 - Valor Econômico

As cidades com mais de 20 mil habitantes têm até abril de 2015 para apresentar seus planos de mobilidade urbana, condição fundamental estabelecida pela Lei 12.587, de 3 de janeiro de 2012, para que esses municípios tenham acesso a recursos da União após esse prazo. Prefeituras já se movimentam na elaboração desses projetos, mas o número das que estão com propostas prontas é muito baixo.

Nenhum dos 66 municípios do Rio de Janeiro que se enquadram nas regras da obrigatoriedade dos planos possuem documentos já prontos com as diretrizes exigidas pela lei, na análise da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

"No Estado, 66 municípios devem entregar os planos nos próximos meses, mas nem mesmo cidades metropolitanas estão avançando", destaca Riley Rodrigues, especialista em Competitividade Industrial e Investimentos do Sistema Firjan. Para ele, a lei não deveria se restringir apenas aos municípios de 20 mil habitantes. "No Rio de Janeiro, até o fim da década, outros sete municípios ultrapassarão essa barreira e, caso não se planejem a partir de agora, enfrentarão problemas que poderiam ter sido evitados".

O principal problema para a elaboração dos planos alegado pelas prefeituras é a falta de recursos financeiros. Para o especialista da Firjan, o principal entrave é a falta de pessoal qualificado para elaborar propostas básicas para obter recursos que existem, tanto na esfera federal quanto na estadual e, em alguns casos, internacional. Na esfera federal, exemplifica, existem os programas Pró-Transporte (com recursos do FGTS), Pró-Mob (com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador) e Mobilidade Urbana (com recursos do Orçamento Geral da União), todos do Ministério das Cidades.

No interior de São Paulo e Minas Gerais, algumas cidades já se debruçam na elaboração dos planos. Um exemplo é o de Ouro Preto, interior de Minas Gerais, onde, no início do mês, foi realizada uma pesquisa com motoristas em diversos pontos da cidade para realizar uma pesquisa de origem e destino. Criado pela prefeitura, em parceria com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o plano visa à melhoria de calçadas, adaptação no transporte ferroviário, criação de espaço para ciclistas e até a possibilidade de adoção de teleféricos.

"Algumas cidades já se movimentam, mas a preocupação existente é que muitas prefeituras tenham foco sobre a moeda, o valor dos projetos, e não adotem um plano de mobilidade urbana integrado com a político de uso do solo urbano", afirma Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral. Para ele, o desafio das cidades de porte médio é responder a uma questão: como Nova York e Londres cresceram de tal forma que o metrô passou a ser opção essencial na locomoção dos habitantes dessas duas capitais?

"Elas foram cidades médias, mas não integraram a mobilidade urbana com uma política ordenada de ocupação do solo, questão muito presente em diversas cidades do Brasil", ressalta. Para Marcus Vinicius Ignácio, professor da Faculdade de Engenharia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), o grande desafio dos planos de mobilidade é fazer com que os gestores coloquem as melhores ideias em prática. "O gestor político ainda tem visão estreita, preocupado com o fato de que o plano é mais partidário do que estratégico, o que pode colocar a lógica do dinheiro em primeiro lugar".

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Duas horas após ato de inauguração, Via Mangue é liberada para o tráfego de veículos em Recife

16/06/2014 - Folha de Pernambuco

Após incontáveis adiamentos e embates políticos, uma das obras de mobilidade de maior impacto dos últimos anos do Recife, a Via Mangue, enfim, foi inaugurada nesta sexta-feira (13). Mesmo inacabada, a intervenção foi liberada para o tráfego de veículos, precisamente às 18h, cerca de duas horas depois do que havia sido programado. Com o início da operação, que já teve registros de retenções, a via representa uma nova rota entre o Centro da Capital e Boa Viagem.

Os primeiros reflexos da Via Mangue já começaram a ser sentidos logo depois liberação para o tráfego. O trânsito na região do Cabanga, que permaneceu intenso durante quase toda a tarde, não apresentou retenções, sobretudo no início da ponte Paulo Guerra. Mais à frente, a avenida Herculano Bandeira também ficou desafogada, assim como a avenida Domingos Ferriera. Os motoristas que optarem por pegar a via nova devem ficar atentos para a velocidade máxima permitida, que é de 60km/h. Equipamentos de fiscalização eletrônica já estão em funcionamento.

Trânsito tranquilo não foi verificado pelo Portal FolhaPE na alça que dá acesso à avenida Professor João Medeiros, próximo ao Hiper Bompreço de Boa Viagem. Por volta das 18h35, o tráfego estava intenso e com retenções, sobretudo quando chegava no sinal do cruzamento com a rua Felix de Brito. Segundo apurou a reportagem, o sinal permanecia verde para quem vinha da Via Mangue apenas 35 segundos e mais de um minuto fechado.

Com a obra entregue, a Prefeitura do Recife espera que a Via Mangue absorva até 49% do tráfego que circula pela avenida Domingos Ferreira. A porcentagem corresponde por algo em torno de 29 mil veículos. A rota deve se tornar a melhor alternativa para os motoristas que só utiliza Boa Viagem como ponto de passagem. Moradores de Setúbal e de Piedade e Candeias, em Jaboatão dos Guararapes devem ser beneficiados com a obra.

Incompleta, a população recebe a pista de sentido único e outra dividida ao meio. A pista leste (Boa Viagem/Centro) da Via Mangue só receberá o tráfego de veículos no dia 1º de setembro, contudo, só a partir dos elevados, na altura da rua Antônio Falcão, até a rua José Maria Miranda, em Boa Viagem. O restante do percurso deve ser seguido pelas avenidas Conselheiro Aguiar e Boa Viagem. A outra parte da pista leste só deverá ficar pronta em dezembro.

Segundo estimativa da gestão municipal, o percurso na Via Mangue entre o alargamento da Ponte Paulo Guerra até as proximidades da rua Antônio Falcão deve ser de aproximadamente sete minutos. A via tem 5 km de extensão e custou aos cofres públicos R$ 431 milhões. O valor é fruto de empréstimo contraído na Caixa Econômica Federal (CEF), além de recursos do município e do Governo Federal.

CTTU

Por meio de nota, a Companhia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) informou que registrou um fluxo intenso de veículos na Via Mangue, logo após a abertura da pista oeste, por volta das 18h. Segundo a companhia, o fato já era esperado, uma vez que a abertura da pista despertou a curiosidade de muitos condutores, que normalmente não utilizarão essa rota em seu trajeto normal. A CTTU ressaltou ainda, que o tráfego foi normalizado por volta das 19h. Por fim, a CTTU informou também que, durante o período em que houve o fluxo intenso na Via Mangue, o trânsito da avenida Engenheiro Domingos Ferreira foi amenizado, o que teria comprovado a eficiência da nova via, mesmo em um dia atípico.