domingo, 11 de junho de 2017

Entidades do setor produtivo elaboram novo plano de mobilidade urbana para Manaus

11/06/2017 - A Crítica

Diante da dificuldade da prefeitura em implantar o PlanMob, documento sugere ações de curto a longo prazo

Show transporte02222
Plano do setor produtivo sugere novas obras de infraestrutura viária na cidade. Foto: Winnetou Almeida

Priorizar as ações de infraestrutura para o transporte motorizado e não motorizado, bem como o transporte de cargas voltado ao Distrito Industrial, que tornem Manaus uma cidade mais humanizada e competitiva. Essa proposta faz parte das “Contribuições do Setor Produtivo para a Mobilidade Urbana de Manaus”, um documento elaborado sob a coordenação técnica das entidades do setor produtivo e entregue ao poder público municipal, no último dia 25, pelo Comitê Cidadão - uma coalizão da sociedade amazonense organizada em defesa dos direitos civis.

O Plano de Mobilidade Urbana de Manaus (PlanMob), concluído pela prefeitura há um ano e meio, mas até hoje não colocado em prática, não atende todas as áreas da cidade e tampouco é ambicioso, apontou um dos coordenadores do projeto do setor produtivo Augusto Rocha.

 A maior crítica do documento elaborado pelo setor produtivo é que o projeto não considera que a capital amazonense é uma cidade industrial: ao contrário, restringe a movimentação de cargas pelas vias públicas, o que aumenta o custo e reduz a competitividade da indústria, prejudicando os novos investimentos.


Propostas

Dentre as propostas feitas no documento para o transporte de cargas e Distrito Industrial, levando em conta que grande parte das receitas de Manaus vem do Polo Industrial (PIM), estão: a criação de um anel viário com o propósito de reduzir o tempo de deslocamento nos extremos da cidade, tal qual adotado em diversas cidades do mundo; a permissão para trafegar nas vias com faixas exclusivas fora do horário de exclusividade para ônibus; e zonas de carga e descarga, rotas alternativas dos postos.

Para o transporte motorizado, o projeto contempla a implantação dos sistemas BRT (Bus Rapid Transit) e BRS (Bus Rapid System), conectando áreas de grande densidade populacional a polos geradores de viagem, como shoppings centers e aeroporto. No BRT, os ônibus do transporte público têm corredores exclusivos, já no BRS têm faixas exclusivas. No Centro, a proposta é a criação de VLP (veículo leve sobre pneus) e de uma rede aquaviária para auxiliar o transporte rodoviário.

Augusto Rocha ressalta que a quantidade de terminais de integração tem que ser maior, de  forma que as pessoas possam utilizar o sistema de transporte como se fosse um metrô. “É preciso criar linhas coletoras que deixem as pessoas num determinado ponto e de lá seguir em outra. Não há necessidade de termos 35 linhas passando pela Constantino Nery. Desse jeito vamos desafogar o trânsito e diminuir o tempo de viagem”.

Humanizar é a meta

Rocha enfatiza que a cidade é para as pessoas, portanto, acima de tudo, devem ser priorizadas as ações do transporte não motorizado, com a implantação de pista de caminhada, ciclovias, playgrounds, campos e quadras esportivas, além de academia ao ar-livre em várias partes da cidade. “Temos que construir uma cidade mais humana e incentivar o transporte não motorizado porque traz melhoria de qualidade de vida das pessoas, mas para isso temos que oferecer estrutura”.

Parceria

O plano “Contribuições do Setor Produtivo para a Mobilidade Urbana de Manaus” foi desenvolvido por engenheiros da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Federação da Agricultura do Amazonas (Faea), Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Manaus (Sinetram), Conselho Regional de Arquitetura (Crea-AM), além do Sinduscon-AM, CAU/AM, Corecon-AM, Cremam, Setcam, Comitê Cidadão, Sifretam, Câmara de Comércio e Indústria Nipo-Brasileira do Amazonas.

Entidades parceiras

 O coordenador-geral do Comitê Cidadão, Stanley Braga, classificou a elaboração das “Contribuições do Setor Produtivo para a Mobilidade Urbana de Manaus” como um marco, representando que os atores resolveram assumir seu protagonismo cidadão ao ofertar, sem custo para a Prefeitura de Manaus, um projeto bem feito e tecnicamente respaldado. “O plano é da própria sociedade, que reuniu alguns autores para contribuir com a sua visão, necessidade e voluntariado para termos uma cidade melhor. Quem ganha somos todos nós”, apontou.

Propostas devem ser avaliadas e podem ser absorvidas pela PMM

O plano de mobilidade urbana elaborado pelo setor produtivo foi entregue ao diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Cláudio Guenka. Ele afirmou que, até a próxima quarta-feira, finalizará a análise do documento e levará as considerações para serem submetidas aos órgãos de trânsito e ao próprio prefeito e vice-prefeito Artur Virgílio Neto e Marcos Rota, respectivamente.

Guenka adiantou que a contribuições que estão sendo analisadas derivam justamente do Plano de Mobilidade Urbana de Manaus (PlanMob), aprovado no fim de 2015, e beneficiam a população em geral, não apenas a classe empresarial. “A viabilidade das propostas serem adotadas pela prefeitura é grande, até porque tem algumas nas quais temos interesse e outras foram implantadas na administração atual”, revelou.

Contudo, o diretor-presidente do Implurb ressaltou que o projeto precisa passar por uma avaliação particular pelo chefe do Executivo Municipal. “Especialmente as propostas de médio e longo prazo. Estamos implantando o planejamento estratégico para 2030 e essas contribuições são importantíssimas e, se for o caso, pode haver a inserção dessas propostas nesse planejamento”, observou.

Cláudio Guenka garante finalizar a análise do documento antes do feriado (dia 15) e prevê que até o fim do mês a administração municipal dê um retorno ao setor produtivo. “Desde já digo que é um documento interessante e bastante técnico. Nós gostaríamos de tempo para analisá-lo para responder um ‘sim’ de forma responsável ou um ‘não’ embasado  tecnicamente em algo que a gente possa adequar e buscar uma solução em conjunto. Esse ‘não’ não será definitivo”, evidenciou.

Para ele, essa vontade do setor produtivo em querer ajudar a prefeitura a tornar Manaus uma cidade melhor para a população é fundamental para a concretização do projeto. “Queremos buscar as alternativas em conjunto com essas entidades que representam a sociedade porque, sozinha, a prefeitura não consegue nada. O envolvimento de quem conhece o assunto é importante para fazermos essas implantações”, afirmou.


Problemas causam prejuízos à industria 

A frota de veículos que buscam e levam em casa os trabalhadores da indústria, em Manaus, é quase o dobro da frota de coletivos municipais. E o transporte dos funcionários do setor produtivo é muito lenta e custosa devido ao problema de mobilidade urbana da cidade, apontou Augusto Rocha, que integra a Coordenadoria de Sistema de Transporte e Logística do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam). Foi pensando em ajudar a solucionar estes problemas que o projeto “Contribuições do Setor Produtivo para a Mobilidade Urbana de Manaus” foi desenvolvido.

Passou-se quase um ano entre as primeiras conversas das entidades do setor produtivo e a finalização do projeto, revelou Rocha. “Em vez de apontar problemas nos reunimos para apresentar uma solução que leve a uma maior competitividade de Manaus e a melhoria da qualidade de vidas das pessoas nesse reconhecimento de que a cidade é industrial”, disse.

Na avaliação dele, o Plano de Mobilidade Urbana de Manaus (PlanMob) foi feito no momento em que existia uma legislação que obrigava a definição de um prazo para sua elaboração e, talvez, a prefeitura não tenha tido tempo suficiente para refletir sobre o assunto. “Apresentou um plano de mobilidade muito interessante, apontando o que tinha que ser feito emergencialmente, mas não conseguiu incluiu a indústria, a movimentação de cargas, entre outras questões”, analisou.

Conforme Rocha, as “Contribuições do Setor Produtivo para a Mobilidade Urbana de Manaus” foram criadas com base no PlanMob,que na avaliação dele tem “convergência de filosofia”, mas sua forma não é a mesma. Ele classifica o projeto como sendo o “próximo passo” a ser dado, agora que a cidade tem um plano de mobilidade. “Esperamos que esse próximo passo seja dado em conjunto com a sociedade”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário