segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aquaviário e túnel vão ficar para próximo governo

05/08/2010 - A Gazeta 

Retomada do sistema aquaviário vai ficar sob a responsabilidade do novo governador

Enquanto o governo do Estado concentra esforços na implantação do Bus Rapid Traffic (BRT) - o corredor exclusivo para ônibus - sob o argumento de que o projeto será a saída para melhorar o trânsito na Grande Vitória, projetos como o túnel submerso na Baia de Vitória e a retomada do sistema aquaviário vão ficar sob a responsabilidade do novo governador.

A explicação para o não lançamento de editais nem de licitações para tocar os dois projetos, segundo o governo, está nas restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. "A lei não permite que qualquer governante, nos últimos seis meses para o término do mandato, deixe qualquer compromisso financeiro para a próxima administração", explica o secretário estadual interino de Transporte e Obras Públicas, Valdir Uliana.

Ou seja, a administração atual do Estado não pode abrir licitação para retomar o aquaviário nem lançar edital para contratar a empresa que faça o projeto executivo do túnel porque faltam menos de seis meses para o mandato acabar.

"Para que algum desses projetos fosse à frente, teríamos que abrir um caixa específico para cada obra. Como uma conta de banco, onde a quantia destinada só poderá ser usada para o projeto. Acreditamos que é melhor que o próximo governo decida se vai investir e quando vai investir nessas ações", diz Uliana.

Segundo ele, só para retomar o aquaviário - no trecho entre a Prainha, em Vila Velha, e a Praça do Papa, em Vitória - seria necessário destinar a essa conta exclusiva R$ 54 milhões.

"No projeto do aquaviário foi avaliado que para ele voltar a funcionar, com uma passagem no valor próximo ao do Transcol, seria necessário um subsídio de R$ 300 mil - sem isso a passagem ficaria perto de R$ 6. Se o governo lançasse a licitação deveríamos separar o equivalente a 15 anos de subsídios, tempo da concessão para explorar o transporte", explica o secretário.

O respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal também é a resposta para não lançar o edital do projeto executivo do túnel. "Teríamos que separar outros R$ 15 milhões, aproximadamente, para garantir o serviço. A lei não permite incluir os gastos só no orçamento previsto para 2011", ressalva Valdir Uliana.

O mesmo não aconteceu, porém, em relação ao BRT, segundo Uliana, já que os projetos já haviam sido aprovados antes do prazo de seis meses para término da gestão

Vila Velha pode ter via ligando dois terminais - Duas vias novas de Vila Velha também terão os projetos concluídos e entregues para que o próximo governo possa executar. Uma delas teve a primeira etapa concluída: o Canal Bigossi. A outra vai ligar essa rua (na altura do Terminal de Vila Velha) até a Avenida Saturnino Rangel Mauro, seguindo em direção ao Terminal de Itaparica, criando a Via Saída Sul.

"A avenida vai sair do Canal Bigossi e sair na Avenida Saturnino Rangel Mauro. De lá, segue até o Terminal de Itaparica, na Avenida Darly Santos", explica o secretário Valdir Uliana.

Essa via vai funcionar em sistema binário com a Rodovia do Sol e Avenida Antônio Ataíde. Enquanto quem vem de Guarapari seguirá por essas duas vias, quem vai de Vila Velha em direção ao município vizinho vai passar pela Via Saída Sul.

Por um trânsito melhor - Confira o andamento de projetos do Governo do Estado incluídos no Programa de Mobilidade Urbana da Grande Vitória

Quarta Ponte. Projeto ainda em estudo e sob avaliação; vai ligar a região de Santo Antônio, na Capital, à orla de Cariacica. O Estado acredita que o projeto é a melhor opção para aliviar o trânsito na Segunda Ponte e no Centro de Vitória. Solução para curto e médio prazo, mas sem data

Segunda Ponte. Um estudo vai analisar a capacidade da ponte e uma possível ampliação dela, feita pelo Departamento Nacional da Infraestrutura do Espírito Santo (DNIT)

Aquaviário. O projeto está parado. O edital foi concluído, mas a decisão para retomar o serviço caberá ao próximo governo. Trajeto seria feito entre Prainha, Vila Velha, e Praça do Papa, Vitória, com 4 mil passageiros/mês, e micro-ônibus para transportar passageiros por um raio máximo de 2 quilômetros

Metrô. Projeto é do município de Vitória. O Estado prefere implantar o BRT (Bus Rapid Traffic), ou corredor exclusivo para ônibus. Municípios da região adotaram a ideia, inclusive a Capital. Estado estima concluir a 1ª etapa até o final de 2014

Túnel. A concepção do está pronta. Mas ainda precisa ser concluído o projeto executivo, avaliado entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões, para depois lançar o edital da obra. Caberá ao próximo governo decidir se continuará

Lindenberg. A Avenida de Vila Velha terá a segunda etapa de reforma concluída no final de 2011. A terceira etapa com projeto está seno planejada, e só será executada quando a segunda acabar.

Viaduto na Lindenberg. O cruzamento das avenidas Carlos Lindenberg e Darly Santos, em Vila Velha, será concluído até o final deste ano, estima o Estado. A construção da Darly Santos foi concluída em 2006

Canal Bigossi. A primeira etapa foi concluída. A segunda fica para o próximo governo. O projeto foi refeito. Terá mais faixas (4 por sentido) e foi incluído no sistema do BRT (corredor exclusivo). Sem prazo para começar

Alça da Terceira Ponte. O viaduto está em construção. Vai passar sobre a Avenida Carioca, servindo como nova opção de saída da ponte aos bairros Praia da Costa, Itapoã e Itaparica. Fica pronto no primeiro semestre de 2011

Fernando Ferrari. Quase toda a via, incluindo a nova Ponte da Passagem, foi entregue. Ainda falta a passarela para pedestres e ciclistas (prevista para março de 2011), e o final da ampliação da avenida (sem prazo)

Leste-Oeste. Uma das três etapas, entre Cariacica e Vila Velha, deve ficar pronta ainda neste ano. As demais estão previstas para 2011, incluindo os dois viadutos no cruzamento com a Avenida Darly Santos. Todas as intervenções foram licitadas e estão em andamento

Obra de corredor já começou em 2 vias - Duas vias já estão em reforma para serem incluídas no sistema Bus Rapid Traffic (BRT), o corredor exclusivo para ônibus na Grande Vitória. Uma em Vila Velha, a Avenida Carlos Lindenberg, e outra na Serra, a Avenida Talma Ribeiro, que liga Laranjeiras ao Terminal de Jacaraípe.

Elas vão contar com canteiros centrais mais largos, já com espaço suficiente para receber as cabines e os pontos de ônibus que serão instalados no lado direito das vias. "Vamos ligar Serra a Vila Velha e Cariacica, passando por Vitória. Serão 52 quilômetros na primeira etapa", explica Valdir Uliana, secretário estadual interino de Transporte e Obras Públicas.

Segundo ele, a expectativa é de que a primeira de três etapas seja entregue até o final de 2014. "Se a próxima administração conseguir concluir os primeiros 52 quilômetros será uma vitória do governo", diz o secretário.

Ele adianta que todos os municípios da Região Metropolitana adotaram o projeto. "A BR 101, na Serra; as avenidas Fernando Ferrari, Reta da Penha e Vitória, na Capital; a BR 262, em Cariacica; e outras vias vão receber reformas para ligar os terminais de Vila Velha, Ibes, Itacibá, Campo Grande, Laranjeiras e Jacaraípe", explica Uliana.

Preparação para absorver público - Análise. Rodrigo Rosa Professor de Engenharia de Tráfego da Universidade Federal do Espírito Santo

A ideia do BRT ou corredor exclusivo para ônibus é muito importante para a mobilidade urbana. O problema é saber se o projeto, quando implantado, virá preparado para comportar o público que será obrigado, de certa forma, a migrar do transporte individual para o coletivo. Em grande parte das vias da Grande Vitória, separar uma ou mais faixas exclusivas para ônibus implica em estrangular, ainda mais, o trânsito que, hoje, não comporta mais carros. Deve-se levar em consideração que nem todos vão migrar do transporte individual e particular para o coletivo e público da noite para o dia. Para isso, o Estado terá que estar bem preparado. Acredito que, nesse caso, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) seria uma opção mais adequada, pela velocidade e capacidade maior de passageiros. Outra saída é não ignorar o transporte aquaviário, opção sem trânsito e até turística para o mercado de transportes. Assim como a construção de mais vias. O túnel e a quarta ponte são soluções futuras e de extrema importância.

Reforma da Segunda Ponte incluída no PAC II - Enquanto os grandes projetos para melhoria do trânsito não saem do papel ou caminham a passos lentos, mudanças pontuais devem acontecer. A Segunda Ponte, por exemplo, deve passar por intervenções, segundo o superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), Élio Bahia. Foi incluído no PAC II, do governo federal, a contratação de um estudo de viabilidade para saber o que será feito na ponte: ampliar, duplicar ou reformar. Ele também não sabe informar, no entanto, quando as mudanças vão ser executadas de fato. O trecho é palco de constantes engarrafamentos e reclamações por parte de motoristas.

O corredor exclusivo - O que é. O Bus Rapid Traffic (BRT), mais conhecido como corredor exclusivo para ônibus, tende a priorizar o transporte coletivo em relação ao individual. A intenção é separar uma ou mais faixas apenas para os ônibus, em vias de maior fluxo, para oferecer mais agilidade e pontualidade ao transporte coletivo

Como será. Na Grande Vitória, o projeto será implantado em três etapas, com a primeira ligando parte da Serra às cidades de Vila Velha e Cariacica, passando por Vitória. Essa fase é composta por 52 km de vias, interligando os terminais de Laranjeiras, Jacaraípe, Itacibá, Campo Grande, Vila Velha e Ibes.








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