segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Grandes projetos: mais gastos, mais prazo e mais indefinição

18/1/2010 - A Gazeta (ES)

Projetos de infraestrutura que vêm sendo discutidos, anunciados e até executados - em alguns casos - ainda deixam dúvidas se sairão mesmo do papel. A GAZETA fez um levantamento desses projetos e constatou que prazos foram estendidos, orçamentos aumentaram, e há casos de obras que estavam na iminência de começar e foram suspensas.

Esse é o caso do mergulhão da Praia de Camburi, que fará a interseção subterrânea entre as avenidas Dante Michelini e Adalberto Simão Nader, em Jardim Camburi, Vitória. O governo do Estado - que financiaria a obra - resolveu priorizar outro 
projeto em comum acordo com a Prefeitura de Vitória, e o mergulhão ficou para depois.

Outra obra cuja execução está atrasada há meses é a das avenidas Champagnat e Jerônimo Monteiro, em Vila Velha. A prefeitura garante que conclui o serviço neste semestre, mas sem boa parte do que estava previsto inicialmente, como a iluminação e a retirada de postes e fios expostos.

A reativação do Aquaviário, promessa do governo do Estado, deve começar a sair do papel ainda neste mês, com a publicação do edital para contratar a empresa que vai operar o serviço. Mas a empresa que ganhar terá até um ano para pôr o sistema em operação. A expectativa é de que os trabalhos terminem antes, mas não há garantias disso.

Em Vila Velha, uma obra que alimenta as expectativas dos motoristas que passam pela Avenida Carlos Lindenberg é o viaduto no cruzamento com a Rodovia Darly Santos. O primeiro vão já está aparecendo, e ontem o trânsito no local foi modificado para atender às necessidades da obra. A Secretaria Estadual de Transportes e Obras Públicas estima que até dezembro o serviço seja concluído.

Na Capital, os frequentadores da Praia de Camburi aguardam pela iluminação da areia desde o início das obras de reurbanização. Foi no final do ano passado que a licitação para realizar o serviço foi aberta, e o secretário de Transportes e de Infraestrutura Urbana de Vitória, Fábio Damasceno, acredita que o serviço possa ficar pronto em quatro ou cinco meses.

No trânsito também está sendo estudada a implantação do estacionamento rotativo na Praia do Canto e a reformulação do serviço no Centro. Entraves históricos também entram nessa lista. A obra da Fábrica do Trabalho, prometida desde 2005, e a construção do Centro Municipal de Especialidades ainda não têm previsão de entrega.


Prioridade

"Vamos concluir a Fernando Ferrari, incluindo o viaduto, e depois é que faremos o mergulhão"
Kleber Frizzera
Sec. de Desenvolvimento da Cidade


Investimento

R$ 3 milhões
É quanto deve custar o serviço de iluminação da areia da Praia de Camburi, no trecho que está sendo reurbanizado, segundo o secretário de Transportes, Fabio Damasceno.

Nas mãos da administração pública
Conheça o andamento de projetos anunciados por prefeituras e pelo governo do Estado para melhorar a vida da população


Metrô de superfície

Como estava: em 2009 já estava parado. O prefeito João Coser disse que dependia da articulação entre os governos federal e estadual para deslanchar com o projeto, o que não ocorreu

Como ficou: continua parado por tempo indeterminado. A prefeitura reconheceu que o Estado priorizou os corredores exclusivos para ônibus, e o governo federal também não tratou a ideia como prioritária.


Mergulhão

Como estava: no ano passado, a prefeitura tratava o mergulhão como um projeto a ser realizado no curto prazo. Até o final do ano, não se havia definido se a estrutura seria ou não executada rapidamente. A obra faz parte do projeto de reurbanização da orla de Camburi, em andamento

Como ficou: provavelmente não sai neste ano. A obra será financiada pelo Estado, que priorizou um viaduto entre as avenidas Adalberto Simão Nader e Fernando Ferrari. Além disso, o governo sugeriu alterações no projeto do mergulhão, o que será analisado e refeito pela prefeitura, adiando a contratação da obra para depois da conclusão das obras na Avenida Fernando Ferrari


Viaduto Fernando Ferrari

Como estava: foi anunciado no mês passado como uma forma de preparar as vias no entorno do aeroporto visando ao movimento futuro. Ganhou prioridade sobre o mergulhão.

Como ficou: a prefeitura já encomendou o projeto executivo, que vai definir custos e forma de execução da obra. Depois de contratada, segundo a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e o próprio prefeito João Coser, é uma obra que pode ser executada em seis meses. Também será custeada pelo Estado em parceria com a prefeitura e pode ser contratada neste semestre.


Viaduto Darly Santos

Como estava: a obra está sendo realizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Espírito Santo (DER), e o primeiro vão do viaduto começou a aparecer no final do ano passado. A ideia é eliminar os semáforos e garantir mais segurança aos motoristas.

Como ficou: continua em andamento, dentro do cronograma. A perspectiva é de que os serviços fiquem prontos até o fim do ano, caso as condições climáticas não atrapalhem, segundo a Secretaria de Transportes e Obras Públicas


Túnel Vitória - Vila Velha

Como estava: depois de superada a dúvida se o túnel ou a ponte seria o mais adequado para ser a quarta ligação entre Vitória e Vila Velha, o governo suspendeu o lançamento de edital para contratação de obra considerando a crise econômica mundial. No ano passado, o governo sinalizou para a possibilidade de não iniciar a obra neste mandato.

Como ficou: o governo anunciou que vai usar o dinheiro devolvido do orçamento do Tribunal de Contas do Estado para contratar a elaboração do projeto executivo do túnel. A ideia é de que pelo menos o projeto seja entregue até o final do ano.


Corredor Exclusivo

Como estava: há dez anos técnicos que participaram da elaboração do Plano Diretor de Transporte Urbano da Região Metropolitana da Grande Vitória já apontavam a implantação de corredores exclusivos para ônibus como forma de garantir maior fluidez e prioridade para o transporte coletivo. Mas somente em 2008 os estudos começaram a ganhar corpo. No ano passado, discussões foram ampliadas com os municípios.

Como ficou: o projeto está em desenvolvimento, mas não há informação concreta se os primeiros corredores serão instalados neste ano. Atualmente, a Secretaria de Transportes e Obras Públicas do Estado está discutindo o projeto com as prefeituras de Vitória, Vila Velha, Cariacica e Serra. No final de 2009, uma comitiva envolvendo a Setop e a Prefeitura de Vitória esteve na Guatemala para analisar o sistema de BRT implantado no local. Há dois meses, outra comitiva envolvendo também a Prefeitura da Serra esteve em Bogotá, onde participou de um seminário sobre BRTs e analisou o sistema implantado.


Aquaviário

Como estava: o governo anunciou a retomada do aquaviário em 2008, mas o projeto foi suspenso devido à crise econômica mundial. No fim de 2009, a Ceturb contratou duas empresas para elaborar o regulamento técnico para operação do sistema e ajudar na elaboração do edital de contratação da operadora do sistema.

Como ficou: o edital de licitação para a empresa que vai operar o sistema deve ser lançado até o final do mês. Depois de contratada, a empresa terá até 12 meses para colocar o sistema em funcionamento. O governo também vai subsidiar o serviço, como fazia no passado no modelo anterior. Há expectativa de que o serviço possa entrar em operação até o final do ano.


Fábrica do Trabalho

Como estava: desde 2005 a Fábrica de Manufatura de Tecidos foi prometida como um futuro espaço público para construção do Centro de Referência do Trabalhador de Vitória. Em 2006, não ficou pronta. Em 2007, o projeto também não deslanchou. Em 2008, a ideia do Centro de Referência do Trabalho deu lugar ao projeto de Fábrica do Trabalho (imagem abaixo). As obras começaram em junho de 2008 e custarão quase R$ 20 milhões. A ideia era de que ficassem prontas em novembro deste ano.

Como ficou: a prefeitura informou que a obra tinha como previsão inicial a conclusão num prazo de 18 meses, mas questões de ordem técnica exigiram readequação no projeto. A crise financeira provocou a redução do ritmo da obra, e isso comprometeu o cumprimento do prazo. A prefeitura informou que não marcou nova data para entrega da obra,e deve viabilizar uma parceria com o Estado para financiamento de parte dela.


Iluminação de Camburi

Como estava: a iluminação da areia da Praia de Camburi estava previsa para o segundo semestre de 2008, mas isso não aconteceu. O projeto precisou de ajustes e verificação do tipo de iluminação que seria realizado. Foi definido um tipo de iluminação especial na orla, prevendo a prática de esportes. No final do ano passado, a licitação foi concluída.

Como ficou: segundo o secretário de Transportes, Fábio Damasceno, o serviço para a iluminação da areia já começou. Estão sendo adquiridos postes, e o serviço foi dividido em etapas. A expectativa é de que até o final do semestre o trecho reurbanizado tenha a areia iluminada


Quiosques de Camburi

Como estava: o início da Praia de Camburi está sem quiosques desde o começo da reurbanização. No verão passado, chegaram a ser usadas estruturas provisórias para atender à população. Neste verão isso não foi possível, e os quiosques ainda não começaram a ser construídos.

Como ficou: após alterações de projeto e da devida autorização da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), a ordem de serviço para construção de sete quiosques na Praia de Camburi foi assinada na semana passada. O Ministério do Turismo garantiu recursos da ordem de R$ 5 milhões, e os quiosques, segundo o secretário Kleber Frizzera, devem ficar prontos até setembro deste ano.


Centro Municipal de Especialidades

Como estava: para absorver o atendimento à saúde na média complexidade, a prefeitura comprou o prédio do antigo Hotel Príncipe e iria transformá-lo no Centro Municipal de Especialidades. A obra está prevista desde 2008.

Como ficou: segundo a prefeitura, ainda não há data definida para iniciar as obras de adequação do prédio do antigo hotel para transformá-lo no Centro de Especialidades. O serviço está em fase de licitação.


Estacionamento Praia do Canto

Como estava: no início do ano passado, o prefeito João Coser chegou a dizer que o assunto só seria tratado pela prefeitura se fosse uma demanda dos moradores. Mas o tema foi retomado pelo município, inclusive com reuniões entre moradores, comerciantes e a própria prefeitura no final do ano passado.

Como ficou: a Secretaria Municipal de Transportes e de Infraestrututra Urbana (Setran) está trabalhando num novo modelo de estacionamento rotativo para a Praia do Canto e também para remodelar o sistema do Centro da cidade. A ideia está na fase de discussão interna, e ainda deve ser submetida ao prefeito, e discutida com a população.


Centro Esportivo de Maria Ortiz

Como estava: a criação de um Centro Esportivo Municipal engloba objetivos que vão desde o incremento de atividades turísticas, política pública de inclusão social até promoção de competições de várias modalidades (atletismo - corridas, salto e arremessos - natação, futebol, basquete, vôlei, handebol, futsal, lutas e ginásticas - olímpica e rítmica) de nível local, nacional e até internacional. A obra é aguardada com expectativa pelos moradores, mas ainda não foi concluída.

Como ficou: o Centro Esportivo Municipal ficará localizado na Rua Jerônimo Vervlot em Maria Ortiz, terá um campo de futebol com estacionamento subterrâneo, pista de atletismo, piscina, ginásio poliesportivo e edifício administrativo e apoio. A obra, orçada em R$ 49.908.263,94, está em fase de execução dos serviços de infraestrutura. A obra está sendo executada mais lentamente e ficará com atraso de 12 meses, pelo menos, e ainda deve sofrer reajustes de contrato.


Obras Centro Vila Velha

Como estava: as obras estão se arrastando há quase dois anos, foram executadas parcialmente, mas foram suspensas. também houve alteração do projeto inicial.

Como ficou: a expectativa da prefeitura é de concluir os serviços ainda no primeiro trimestre deste ano, considerando a pavimentação das ruas e as intervenções nas calçadas. A parte de iluminação e o encapsulamento dos fios, ou seja, torná-los subterrâneos, não será realizada nessa etapa.


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