domingo, 6 de maio de 2012

Mobilidade urbana

02/05/2012 - Jornal do Commercio

O destaque que a presidente Dilma Rousseff conferiu ontem, em seu programa radiofônico semanal, aos investimentos do governo federal, em parceria com Estados e municípios, na melhoria do transporte público das grandes cidades brasileiras, compreendendo recursos que ascendem a R$32,4 bilhões em metrôs, VLTs (veículos leves sobre trilhos), monotrilhos e corredores exclusivos de ônibus, realça a prioridade de um sistema cuja importância afigura-se reconhecidamente essencial à melhoria das condições de vida da população e das pessoas, individualmente consideradas, em seus deslocamentos entre os locais de moradia, trabalho e lazer.

Trata-se, de fato, de um desafio que se vem tornando, ao longo do tempo, mais relevante, em função do próprio adensamento demográfico nessas cidades e em seu entorno, nas regiões metropolitanas em que estão inseridas, incorporando-se assim como elemento básico de qualquer estratégia de crescimento voltada, como não pode deixar de ser, à elevação de índices de desenvolvimento humano que a legitime e a torne um referencial, na diversidade de aspectos não apenas econômicos, mas necessariamente, sociais, que embasam o respectivo conceito.
Trata-se nesse sentido, segundo as palavras da presidente, de um "investimento histórico", no qual o governo federal vai entrar, como informou na oportunidade, com mais de R$ 22 bilhões, e os estados e municípios vão dar também sua contribuição, no montante de mais R$ 10 bilhões.
"Nesses projetos que selecionamos - afirmou - vamos beneficiar 53 milhões de brasileiros e de brasileiras, e isso nas grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Manaus, Porto Alegre e também naqueles municípios que fazem parte das regiões metropolitanas dessas capitais, onde o problema do trânsito e da mobilidade urbana é o mais grave do Brasil. Muita gente, nessas cidades, chega a passar até quatro horas por dia dentro de um ônibus ou de um trem. Reduzir o tempo no trânsito significa dar condições para essas pessoas aproveitarem as horas em que não estão no transporte para estudar, descansar, ficar com a família. E isso é que se chama qualidade de vida".

Os números que vêm de ser divulgados pelo IBGE, referentes ao Censo de 2010 e à questão da mobilidade urbana, confirmam essas realidade que ora se busca, através dos mencionados investimentos e programas, modificar, e que levaram, por exemplo, a presidente do instituto, Wasmália Bivar, reportando-se à situação do Rio, pior até, a esse respeito, do que a de São Paulo, segundo o levantamento censitário, a assinalar que enquanto 75% da população do Rio moram na região metropolitana, em São Paulo este índice é de 50%, havendo ainda outros polos de trabalho.

Conforme também observa Fernando MacDowell, especialista em Engenharia de Transportes da UFRJ, "o problema é que o país usa sistema de baixa e altíssima capacidade, os ônibus e os metrôs, mas falta o meio de campo, o desenvolvimento dos sistemas de média capacidade, como VLT, aeromóvel e monotrilho, além da integração entre eles". É nesse contexto que os empreendimentos focados na melhoria dos padrões de mobilidade urbana sobressaem como fundamentais, em relação a toda uma proposta de desenvolvimento focada na melhoria das condições de vida da população.

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