terça-feira, 2 de outubro de 2012

Baixada Santista vê boom imobiliário

25/09/2012 - Valor Econômico

Os reflexos da onda de exploração do pré-sal começam a chegar às cidades da Baixada Santista e do Litoral Norte paulista. Embora seja ainda apenas uma brisa perto do vento que se espera, projetos relacionados à exploração de petróleo já começam a mover a economia da região. Estima-se que em Santos serão 11 mil empregos diretos e indiretos até 2014. Com esse incremento, o número de vagas nos outros setores da economia deve crescer 30%, com efeitos também no Guarujá e na Praia Grande.
O aquecimento da economia já chegou ao mercado imobiliário. O preço do metro quadrado construído hoje em Santos mais que dobrou. Em São Sebastião, no Litoral Norte, o número de registro de empresas passou de 250 em 2008 para 302 nos primeiros oito meses de 2012. Em Caraguatatuba, a prefeitura está direcionando 50% de suas receitas à saúde, educação e infraestrutura. A preocupação dos municípios é evitar que o dinheiro do pré-sal, ainda a caminho, provoque os mesmos desequilíbrios e deterioração verificados em cidades do litoral fluminense.
"A economia da região vem crescendo e o desemprego caindo. O nosso orçamento é o indicador dessa economia. Este ano deverá fechar em R$ 1,4 bilhão e no próximo ano a estimativa é atingir R$ 1,8 bilhão", afirma Marcio Antonio Rodrigues de Lara, secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos da Prefeitura Municipal de Santos.
Boa parte dos investimentos será aplicada na área social. Pelas contas da prefeitura, serão destinados R$ 596,5 milhões para a área de saúde, educação e assistência social, além de R$ 144,690 do programa Santos Novos Tempos.
Outro destaque é o Orçamento Criança e Adolescente (OCA), estimado através de ações promovidas pelas secretarias. De acordo com o governo municipal, "a soma do que cada pasta destina para atender esse segmento chegará a R$ 336,769 milhões". Já está sendo feita a ampliação da rede de saneamento básico nas oito cidades que compõem a Baixa Santista e iniciadas as obras de modernização do Porto de Santos. Com aproximadamente 13 quilômetros de cais e quase 500 mil metros quadrados de armazéns, o Porto de Santos é o maior e mais importante complexo portuário da América do Sul.
Embalada por uma economia pujante, a cidade assiste a um boom imobiliário. Estudo feito pelo Secovi-SP - maior sindicato do mercado imobiliário da América Latina -, em parceria com Robert Michel Zarif Assessoria Econômica Ltda, aponta que a expectativa para o segmento da região é de crescimento de mais de 200 mil unidades habitacionais para esta década. "Considerando-se todo o período de estudo, de março de 2009 a março de 2012, o total de imóveis verticais lançados nos municípios, acrescido dos empreendimentos remanescentes, é de 14.270 unidades", revela o levantamento.
"A cidade com o maior número de lançamentos verticais foi Santos, com 7.707 unidades (54%)", demonstra o estudo. "Essa grande movimentação começou entre 2006 e 2007 e o metro quadrado construído saltou de R$ 3,2 mil para R$ 6,5 mil", afirma José Augusto Viana Neto, presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Crecisp).
Em São Sebastião, no Litoral Norte, o secretário-adjunto de Governo da Prefeitura Municipal, Igor Veltman, acha prematuro fazer projeções específicas de investimentos relacionados ao setor de petróleo e gás. "Podemos apontar, entretanto, que o número de empresas - abrangendo todos os setores - abertas em São Sebastião nos últimos anos, tem subido.
Em 2008 foram 250 novos registros, passando para 280 no ano seguinte. Em 2010, ligeira queda, para 188. No ano passado somaram 419 e neste ano já foram 302 novas empresas abertas", diz Veltman.
A arrecadação de Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza também apresenta curva ascendente, ou seja, alta de 28,2% no primeiro semestre de 2012, comparado a igual período do ano anterior. "Há sinais de movimentação na cidade, no turismo de negócios, no setor de serviços, no mercado imobiliário", resume.
A receita em Caraguatatuba também está em alta desde 2008. "Saiu de R$ 216,5 milhões naquele ano e fecha em R$ 378,1 milhões neste ano", acrescenta Roberto Annunciato, secretário de Planejamento, Economia e Gestão de Caraguatatuba. A implantação da Usina de Tratamento de Gás Monteiro Lobato no município tirou a cidade de um perfil exclusivo de veraneio para uma posição de atividade industrial, de turismo e serviços.


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