segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Bairros inteligentes, nova forma de moradia

10/01/2013 - Brasil Econômico, Ivo Szterling

Eficiência, qualidade de vida e sustentabilidade. Esses três conceitos permeiam a escolha de moradia das pessoas e, por isso, cada vez mais os bairros inteligentes ganham espaço em um mercado que apresenta muitas oportunidades, mas que, ao mesmo tempo, é muito exigente. O conceito urbanístico de bairro inteligente tem inspiração e uma importante referência no Novo Urbanismo, um movimento que surgiu nos Estados Unidos na década de 90 como um contraponto às cidades americanas desenvolvidas com base em modelos mais espraiados onde o carro é privilegiado ao invés do pedestre.
O grande diferencial: qualidade de vida a pequenas distâncias. Os bairros inteligentes, em geral, são desenvolvidos em grandes áreas (geralmente com mais de 2 milhões de metros quadrados) integradas a tecidos urbanos consolidados, que oferecem uma ampla variedade de produtos: residenciais horizontais e verticais, comércio, indústria, serviços e lazer, cercados por parques e áreas verdes. Os projetos devem apresentar uma correta hierarquia viária que contemple em conjunto o carro, o transporte público, as ciclovias e as vias para pedestres. Entre os aspectos do Novo Urbanismo que são inseridos nesses projetos estão a diversidade de usos e de classes, a qualificação dos espaços públicos valorizando os pontos de encontro, o ordenamento da paisagem urbana, através da harmonização da volumetria das construções, promovendo um espaço público amigável e atraente para o pedestre.
O conceito de sustentabilidade desses projetos está, entre outros fatores, na ocupação mais adensada, que permite o aproveitamento mais eficiente da infraestrutura e dos serviços públicos, na redução das demandas de mobilidade, ao oferecer moradia, trabalho, comércio, escola e lazer em espaços mais integrados e acessíveis, reduzindo o consumo de tempo e energia e na preservação efetiva de áreas com atributos naturais importantes, criando grandes parques protegidos e integrados à cidade.
A estruturação econômica e financeira dos bairros inteligentes pode ser considerada como um dos principais desafios no processo de sua implantação. Aspectos como o timming de ocupação, geração de demandas para atividades complementares e a estratégia de ancoragem são processos importantes para o sucesso desses empreendimentos e podem demandar algum tipo de operação inicial subsidiada. São, portanto, operações complexas e de gestão estratégica de longo prazo.
O processo de implantação pode levar de 10 a 20 anos para ganhar uma configuração de bairro consolidado, com comércio e serviços sustentados por demanda própria. Dessa forma, é importante que o empreendedor esteja preparado para um planejamento de longo prazo, e, principalmente, para superar os desafios de ter um projeto economicamente sustentável e equilibrado a cada etapa da implantação.
Embora os projetos sejam desafiadores, atualmente são amplas as oportunidades tanto em cidades médias como nas metrópoles em fase de expansão econômica, que trazem uma valiosa oportunidade para construirmos cidades mais ordenadas, sustentáveis e belas para seus moradores.

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